quarta-feira, dezembro 31, 2008

Feliz 2009



A última noite do ano aproxima-se e é tempo de balanços... Este foi mais um ano que passo com a vossa companhia, com a vossa amizade... Mas não foi apenas "mais um", foi um ano cheio, cheio de momentos e alguns bem intensos... Foi um ano cheio de alegrias, de muitos sorrisos, mas também com algum sofrimento e lágrimas, muitas lágrimas também. Foi um ano de novas amizades, e algumas muito boas... Foi um ano de crescimento e de amadurecimento.

Vem aí um novo ano e com ele surgem pedidos, votos, desejos. Eu desejo que este ano vos traga muita saúde e felicidade... Depois deixo os votos convosco e desejo que este ano vos traga tudo o que mais desejam. Para mim? Para mim, para além de saúde, quero paz! Tenho alguns objectivos pessoais sim, e tenho já estruturado como vou conseguir alguns, mas.. Acima de tudo quero paz de coração e estar bem comigo mesma.

Espero que 2009 seja um ano melhor que 2008, não que este tenha sido mau, mas... Pedimos sempre um pouco mais, não é? Em termos de felicidade temos mesmo que ser ambiciosos. Tenham uma noite muito feliz, e que seja o reflexo de todos os momentos do ano. Feliz 2009!

domingo, dezembro 28, 2008

Silêncio...



A brisa corre, o sol aquece a manhã, o mar toca gentilmente a areia húmida, que os pés hesitam em pisar com medo do que poderão sentir… Por haver falta de melhor solução senta-se esperando que a vontade e coragem de entrar na água apareçam como um súbito desejo. Espera, espera e espera, até que uma tristeza lhe invade o pensamento distraindo-a de tudo o que esperava… Tal sentimento era fruto de algo que tinha ficado por resolver, de alguém que a magoou e não deu justificação para fazê-lo.

Há dias em que as palavras escassam… Por mais que tentemos agarrá-las e fazê-las falarem, elas conseguem sempre escapar. São aqueles dias em que queremos o silêncio, em que as palavras não chegam para dizer o que sentimos, em que nada nem ninguém serve de inspiração para criar conversa.Por vezes, as palavras estão tão gastas que o melhor remédio é deixa-las guardadas num canto e só usa-las quando é mesmo necessário. Daí as palavras rompidas e fartas, serem o objectivo profundo disto tudo… Um dia de descanso, ou até mais, é perfeito para elas não me fugirem para sempre e permanecerem no seu verdadeiro lar.

Brochado publicado aqui.


Hoje deixo-vos este texto excelente de alguém que passa por aqui em silêncio e que pertence a uma turma composta por algumas leitoras mais ou menos assiduas do Ticho. Ao 10º A, em especial à Sofia, à Morim, à Sara e claro à Brochado, um grande beijinho.

sábado, dezembro 27, 2008

Natal dos Sem Abrigo 2008

Já pensei relatar o que se passou no Jantar dos Sem Abrigo de Lisboa que participei, no fim de semana passado, mas como julgo que as palavras serão insuficientes para contar tudo o que aconteceu por lá, o ambiente criado por todos - voluntarios permanente e voluntarios apenas para o jantar, as vivências (melhores ou um pouco mais tristes e de desilusão - porque também existem!), as histórias, os sentimentos, os sorrios, deixo-vos um slide com algumas imagens...

Quero salientar que o João encontra-se em duas fotografias de casaco castanho e gorro preto, acompanhado por uma voluntaria e o Sr. Presidente da Comunidade Vida e Paz.


Quero ainda deixar um beijinho ao Pedro Lira (presente em duas fotografias com crianças) e à Sofia Cunha (responsaveis pela área das crianças) e à Sofia Valente (responsável pela área dos presentes - e que contacto desde há um ano na sequência da campanha das meias, e que tive a oportunidade de conhecer) pela excelente integração que fizeram aos voluntários. Foi um privilégio trabalhar convosco e com a CVP neste projecto. Se não nos encontrarmos antes, encontrar-nos-emos para o ano, sem dúvida!

ps - Obrigada Amiga por partilhares todos estes momentos comigo, foi bom ter-te ao lado a sorrir junto.

Adenda: por questões técnicas tive que retirar o slide e colocar o link... Peço desculpa pelo incomodo.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Numa rua agitada...

Estava sentada na esplanada daquela rua movimentada que apenas gosta de passar porque leva sempre a algum lugar, mas que hoje decidiu ir ali, àquele lugar. Sentada na esplanada olha para o ambiente geral agitado, os carros a passarem, as businas a tocarem, as pessoas a correrem de um lado para o outro... A correria de todos os dias, o stress, o mesmo que costuma ter, mas hoje decidiu parar. O stresss que sente agora é diferente daquele outro... Ansiedade? Talvez seja esse o sentimento... Medo? Imenso, embora não o queira admitir.

Hoje está ali, sentada naquela esplanada com a vida a correr-lhe ao lado, e ela ali parada, profundamente parada sem saber o que pensar, o que dizer, como reagir, apenas e só com medo de si própria no momento seguinte.

O relógio parece igualmente estático, o tempo não passa, e o que seriam 15 minutos parecem agora horas sem fim... Bebe mais um pouco de água e levanta-se, caminha devagar como que se isso evitasse chegar ao seu destino. Chega ao numero 1 da tal rua, olha para a porta e entra. Chama o elevador, olha-se ao espelho no seu interior, respira fundo e sobe ao terceiro piso. Procura a porta e empurra-a devagar como se pesasse toneladas.

Por detrás da porta uma senhora já com alguma idade lê um pequeno livro e ouve música classica. Ela entra e senta-se numa das cadeiras daquela sala vazia. Vê os quadros abstratos, as paredes, os tapetes e a carpete... Olha as portas fechadas e ouve vozes por detras de uma delas. "É por ali o caminho", pensa tentando-se convencer.

Algum tempo depois estava a fazer aquele percurso no sentido inverso. Caminhava com passos tremulos, mas com a certeza que tinha cumprido a sua missão por aquele dia, e que... o que se passou entre aquelas 4 paredes só ela saberia.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

O verdadeiro Natal...

O João é um Sem Abrigo de Lisboa. Lá vinha ele com as suas vestes cinzentas, chapeu preto e com uma barba branca que lhe tapava todo o pescoço e pouco descobria da cara. Vinha do jardim, com uma flor na mão e uma verdura a acompanhar. Entra no espaço semi-vazio e diz em tom teatral:
- Hoje entrei pela porta do cavalo! Não entrei pela porta principal... - Denunciando o pequeno "crime" que tinha cometido.
- Foi?! Mas pelo menos traz uma flor... - respondeu a senhora que estava ao meu lado.
- E sabe como se chama esta flor? - Aproximando-se de nós, continuando com a sua forma teatral de falar - São tantas as Senhoras- que não sei a quem dar a flor. Mas dou um beijinho a quem souber o nome da flor.
Algumas de nós ainda tentámos dizer o nome, mas a maioria apenas dizia "não sei" ou abanava com a cabeça de forma negativa.
- Pois bem - disse ele - Fui perguntar à minha amiga Sara, florista, que flor era aquela mas que também não sabia. Florista e não sabia?! - Exclamava ele indignado. Mas continuou - Mostrou-me então um compendio de botanica e estivemos a ver e esta flor em latim chama-se ******is( sinceramente não consegui decorar o nome), mas mais conhecida por Não Sei.
Terminou e deu uma gargalhada. Nós todas ficamos a olhar para ele e depois desatamo-nos a rir também. Desejou-nos um Feliz Natal, mas que tinha que ir jantar porque esperavam-no lá dentro.
A cena teatral seria perfeita se não fosse interrompido pelo actor João Ricardo (este real e conhecido da nossa praça) que o queria conhecer (o João Ricardo ao João). Estiveram a falar um bocadinho ali a nossa frente, quando o João virou-se para o João Ricardo e disse num tom mais alto e novamente com a sua voz teatral:
- Agora tenho que ir, que esperam por mim para jantar, depois voltarei para dar autografos! - E seguiu-se nova gargalhada geral.


Pela conversa que estava a ter o João, o Sem Abrigo de Lisboa, é alguém culto e que por este ou aquele motivo foi parar à rua, onde reside. Aquela noite, no passado domingo, foi a sua ceia de Natal, com um prato de comida quente: Bacalhau, legumes e ovo, com arroz doce de sobremesa. Neste Natal lembrem-se do João, do Sem Abrigo de Lisboa, quando tiverem à vossa frente uma mesa farta, cheia de comida e doces, e pensarem que não gostam desta ou daquela comida, ou deste ou daquele presente. O Natal não é consumismo, presentes, e comer a perder de vista! O Natal é a celebração do nascimento de um Menino que nasceu pobre, sem luxos alguns. Natal é amizade, fraternidade, é familia, é sorrir... O João no meio da sua miséria brincava e sorria. Sabio como mostrou ser, talvez saiba bem melhor o que é o Natal que todos nós...

Desejo a todos vós um Santo e Feliz Natal junto da vossa familia, amigos ou pessoas que querem bem. Muita fraternidade e paz para todos vós.

CA

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Hoje voltei lá...

Hoje voltei lá, voltei como tantas outras vezes volto num silêncio mais ou menos despercebido. Tudo parece calmo, abandonado, e esse o engano de muitos que lá vão. Olho em volta e vejo nas paredes os quadros que conheço de cor, alguns até pintados por mim, distração de horas que te queria por perto. Pintei para ti palavras que só tu entendias. As paredes, essas, são da cor de sempre, nada muito sofisticado, mas teu.

Caminho pelos corredores, e percorro o espaço. Veem-se aqui e ali fotografias, memórias de muitos momentos vividos, momentos partilhados, teus, tão teus... E nossos, teus e dos teus amigos, incluindo-me neles. Conheço as lembranças, mas ainda olho para elas como as visse pela primeira vez... E já foi ha tanto tempo!

Olho na sala o sofá, aquele que tantas vezes me enrolada esperando que o momento passasse, que passasse a tristeza, o medo... Depois chegavas tu em silêncio e vinhas com aquela fatia de bolo e um colo de leite, conjugação perfeita que partilhavamos. Não dizias palavra, não perguntavas nem questionavas aquele momento. Sabias sempre como chegar até a um sorriso meu, e esse era o momento em que eu sabia que era hora de lutar... Outras vezes era eu que lá te encontrava, e o caminho era o mesmo.

Vou, passo pela cozinha e sinto um aroma a café. Sorrio. Quantas vezes bebemos ali café deliciosamente ao sabor de uma conversa animada, de tanto disparate dito ou simplesmente ao sabor das noticias recentes. E a política? Quantas vezes era esse o assunto? Conversar, trocar ideias e criar novas visões...

Dirijo-me para a porta da rua e sigo para o jardim. Paro e vejo-te ali, de costas para a porta. Sabia que era ali que te iria encontrar... Não tinhamos combinado, mas estás a minha espera... Sabias que viria. Ouves-me os passos, coloco-te a mão sobre o ombro e tu chegas-te um pouco para eu me sentar também. Sento-me ali, contigo. Quantas foram as vezes que nos sentámos ali? Sentava-me ali quando queria sentir-te perto ou quando pedia ao vento para me levar os pensamentos. Muitas vezes dizias querer aquele espaço só para ti mas depois apenas fingias que não me vias por lá, quando ia à tua revelia...

Hoje sentamo-nos juntas ali, naquele nosso baloiço, a olha para o caminho à nossa frente. Sabemos que iremos para lá, mas também sabemos que não iremos sozinhas, caminharemos lado a lado com a confiança e amizade que construimos.

Hoje o Confesso Aqui faz 2 anos, sim faz, porque apesar de aparentemente abandonado, mantem-se visitado por vários. É um espaço especial, que foi e é um refugio meu. Lá encontrei alguém muito diferente e muito igual a mim que me abriu as portas daquela casa, e da sua vida. O baloiço ficará nos nossos corações e mantém-se naquele jardim, que voltamos que nem porto de abrigo. Parabéns ao Confesso e a ti, primota.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Dia de festa...

Existem pessoas que nos enchem a alma de carinho. Existem cantos que nos fazem sentir bem. O More than Words consegue juntar tudo isto: um canto especial de uma pessoa especial. Chegou por acaso e ficou, permaneceu e permanecerá para mim sempre, muito para além deste mundo que dizem virtual. Muita coisa já foi vivida e partilhada entre nós, foram (quase) dois anos intensos de crescimento...

...Porque existem coisas que não se explicam, que não se definem... são More Than Words! Parabéns mana querida, por seres a pessoa especial que és.

sábado, dezembro 13, 2008

Je t'aime...


Este é um dos videoclips mais marcantes que já vi e ouvi. Aproveito para dizer:

Je t'aime a todos vós, que eu tanto gosto

quarta-feira, dezembro 10, 2008

o combate com a realidade

"fausto olhou para o prédio tinha vidros em frente, vidros grandes assim em frente todo ele em vidros. a estaca zero era uma praça e os vidros reflectiam que os prédios uns tão outros e nuvens nas fachadas a passarem os prédios e as nuvens. a praça com um bar desfocado e a esplanada cheia de miúdas lindas. nem fausto começou era o álcool e tambem comprimidos. do que estava a ver. do que estava a ver começou o fausto chegou à praça e começou a atirar álcool para cima das fachadas e das ruas dos prédios. começou prédios de vidros linhas demasiado direitas e depois começou a entorná-los, como quem enche os folículos da cabeça do cérebro da cerveja eram linhas demasiado direitas. assim a enchere a inchar a cabeça de cerveja. e o ruído da espuma a chiar era a pressão nos ouvidos. e as raparigas sorriam-lhe cada vez mais sorriam cada vez mais elas mais bonitas e fausto cambaleava no meio dos sorrisos delas. e fausto tinha feito um pacto uma vez. fausto tinha feito um pacto, por isso elas sorriam-lhe
e olhava para as fachadas dos prédios eram uma esplanada, era uma praça à parte do mundo com uma esplanada, e as raparigas riam-se belas e bebiam cervejs, e o calor do verão por cima parecia uma cúpulacosmos de calor e as raparigas riam-se e mostravam os lábios sorridentes e carnudos com beijos lá dentro.
mas fausto estava interessado pôs-se a embirrar com a "realidade", estava mais interessado em distorcer a "realidade", porque a "realidade", porque a "realidade", diziam-lha. porque a "realidade" imitava-lhe com aquele arzinho irritante de tão ser a "realidade". por isso fausto entornava bebidas alcoólicas para cima das ruas, para cima dos prédios, enquanto os insectos ainda não lhe subiam as suas pernas aleatórias. e aranhas eram paridas pelas paredes.
primeiro era uma árvore que sofria torção, que cambaleava expressionista, uma árvore com os braços no ar a gritar clorofila verde que era e os ramos torcidos no ar clorofila. depois eram os comprimidos. depois eram as fachadas dos prédios que ficavam líquidas e de linhas bambas. a "realidade" sofria a investida era fausto a avançar odiava a "realidade". porque isso era quando as pessoas chegavam e diziam isto é a "realidade"e depois fausto cortava-lhes a garganta sempre que podia eles não se calavam!, eles não se calavam!, quando lhe diziam "a realidade".
fausto cravou as unhas nas gengivas da "realidade" e levou-a à força era um ringue com centenas de espectadores e de gladiadores. fausto tinha poder de encaixe, por isso bebia bebidas mágicas, a "realidade" batia em fausto, as miudas riram-se excitadas com quando há uma disputa pelos melhores genes, fausto tentava acertar na cada da "realidade" e quando pé no estômago ressentiu-se ao se curvar no ringue e o ringue falava ainda tempo para acabar. e fausto pregou-lhe um murro quando ela no chão depois com um pau no lombo a umas vezes nas vértebras outras nas costelas.
fausto estava francamente bêbado. no entanto estava a ganhar o combate à realidade. "a realidade" estava de gatas no chão a tentear levantar-se e eram cachos de sangue a caírem em cachos de sangue do nariz partido e a cada cabisbaixa quando sangue a cair em que isto sim se pode chamar poesia, o nariz partido e o sangue a cair aos bocados para o chão.
e fausto triunfava com os pulmões do cérebro pneumotórax na cabeça assim cheio de drogas.
nessa altura a cidade já se tinha liquefeito. as raparigas lindas tinham-se derretido com o calor, e boiavam mortas, com lábios entreabertos à esperaque fausto as fosse beijar corpos de princesas. fausto tentavanadar nas ruas liquefeitas, as pequenas ondulações da água eram reflexos de habitações, e os prédios quando se derretem transformam-se em água, nos reflexos ondulados da cidade tornada água. corpos de princesas.
agora que tinha mostrado ao mundo que tinha mostrado ao mundo que a "realidade" era fraca e que podia derrotar a "realidade", e que o mundo tinha derretido numa água cristalina e sem peixes, e qeu o mundo já tinha deixado de existir terra, agora só lhe faltava afundar-se afogar-se no fundo com um milhão de raparigas afogadas como o seu harém de princesas, corpos de."

por Rafael Dionísio em Cadernos de Fausto, Chili Com Carne 2008.

domingo, dezembro 07, 2008

Pára e pensa... precavê-te!

Arnaldo, 59 anos.
Após abandonar o ofício de sapateiro, Arnaldo, de 58 anos, casado e residente no Grande Porto, passou a dedicar o seu tempo livre a esculpir madeira com um canivete. As criações do artista de mãos habilidosas eram trabalhadas na rua, perante os olhares curiosos de dezenas de crianças que brincavam à sua volta.
Acabava por oferecer as esculturas aos miúdos. Quantos mais brinquedos dava, mas crianças andavam à sua volta. O povo nunca viu malícia naquela proximidade e, mesmo quando surgiram os primeiros boatos, a vizinhança não quis acreditar. Crianças carentes de afectos aceitavam "brincar" com o sapateiro em troca de presentes. Passaram-se anos até à primeira denúncia. Depois da primeira, sucederam-se outras, de meninas com idades entre os quatro e os oito anos, que o sapateiro desnudava, acariciava e pedia que lhe tocassem. Confrontado, negou quase por completo os crimes. Mesmo após a condenação, insistiu que eram só brincadeiras e que nunca seria capaz de fazer mal a uma criança. "Argumentava que jamais magoaria uma criança, até porque tinha familiares menores e que costumava brincar com eles", revela Armando Coutinho-Pereira*. Para o velho sapateiro Arnaldo, eram apenas "jogos" que fazia com as crianças.

António, 39 anos.
Poucas vezes António, tipógrafo, deixava as quatro paredes de casa. Era um solitário, com uma orientação sexual pouco esclarecida. Sujeito de trato fácil, mas muito reservado e introvertido, passava as noites a navegar na Internet, para dessa forma estabelecer contactos e marcar encontros com adolescentes (todos do sexo masculino), ora no seu apartamento, convidando-os para beber um porto ou para jogar bilhar num café pouco recomendado. Nessas alturas, em troca de dinheiro ou de prendas (como sapatilhas e bonés de marca), convencia os adolescentes a trocar favores sexuais. Umas vezes participando, outras assistindo. Na prisão, nunca teve uma vida fácil, pois tinha uns maneirismos/tiques muito singulares. Nunca revelou o seu crime. O psicólogo Armando Coutinho-Pereira* acredita que António nunca o entendeu. Para ele, eram apenas encontros.
Segundo o especialista*, António gozou de certa impunidade, porque os adolescentes em questão, de famílias mais ou menos carenciadas e pouco supervisionados (passavam o dia e, por vezes, as noites sozinhos, nas casas de uns e de outros), com vergonha e com receio de ser conotados com determinada orientação, só muito mais tarde o denunciaram e porque houve uma desavença.


Em Novembro arrancou em duas cadeias do país o "programa de intervenção terapêutica em agressores sexuais", sendo intervencionando em cerca 20 voluntários.

Uma característica dos "violas", como são comummente tratados no meio prisional, é a falta de sinceridade, manifestada através das mais diversas distorções cognitivas, levando a que se isolem. Regra geral, "negam ou minimizam as suas condutas, alegando que estavam alcoolizados ou drogados, que agiram por impulso ou que foram provocados pela vítima. Alguns tentaram convencer de que não pensaram no acto antes de tal acontecer. Muitas vezes, utilizam as distorções cognitivas como forma de minimizar as culpas. Outros há que acreditam que qualquer crime que seja originado por um acto impulsivo lhes poderá determinar uma sentença menor ou possibilitar um veredicto de culpado, mas inimputável. Uma vez condenados, aqueles homens "interiorizam estar no bom caminho", pois são integrados no contexto laboral e não registam medidas disciplinares", diz o psicólogo. Chegam ao ponto de não entenderem por que não beneficiam de medidas flexibilizadoras". (Armando Coutinho-Pereira).


"Não existem programas minimamente estruturados de avaliação, acompanhamento, intervenção e monitorização com agressores sexuais. Enquanto isso, a sociedade teoriza, questiona, reflecte e retém toda e qualquer iniciativa, dando espaço aos "predadores sexuais" para fazerem as suas vítimas, cumprirem penas de prisão e voltarem a fazer vítimas".

*Armando Coutinho-Pereira, psicólogo, mestre em Ciências Forenses e autor de um estudo sobre Distorções Cognitivas e Agressão Sexual

Nota: Post baseado na reportagem do JN de 21/10/2008 de Telma Roque, denominada «Cadeias tratam "predadores" sexuais».

sexta-feira, dezembro 05, 2008

...uma ordem!

Toda a gente sabe que eu sou uma pessoa sem opinião e submissa, que faz tudo o que me mandam. Ora bem, este é um post que prova isso mesmo! Disseram-me que queriam um post aqui até ao final da manhã, para ultrapassar o anterior, e heis-me aqui bem mandada a escrever.

O post anterior retrata uma situação muito complicada pela qual passei e que deixou marcas bem fundas em mim. Sei, e a pessoa que me ordenou tirar o post anterior de primeiro tambem o sabe, que não é por passar aquele post para segundo que vou ficar melhor mas, em todo o caso, é uma forma de não pensar tanto nisto, ou não ver esta imagem assim que entro aqui... Quero ainda agradecer a todos os que comentaram ou que fizeram chegar até mim algum conforto mediante assunto tão sensível. Fica no silêncio o que tanto queria dizer...

Para terminar em grande este post cheio de conteúdo, vou colocar uma música que me põe sempre a cantar... Aproveitem e juntem-se a mim, durante 2 minutos, a ouvir esta música fantástica!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A minha herança



A fraqueza é inata,
e essa foi a minha herança
a unica que trouxe
A unica que me deste...

A recordação mais nitida
que tenho de ti,
foi aquele momento
que te vi ali prostrado
diante de mim...

Foste cobarte,
não falaste...
escondeste-te...
e quando te fartaste,
decidiste partir...

Eu vi-te assim,
naquela figura
horas e mais horas
continuavas ali...

Ninguem reparou em mim
ninguem percebeu o que vi
ninguem percebeu o que senti
ninguem se preocupou...

Desde então achei
que tinha encontrado um solução
seguir-te... seguir o teu exemplo...

Muitas vezes pensei
que não conseguia continuar
Muitas vezes achei que era o fim
muitas vezes desisti...

Não fui...ainda...
faltaram as forças...
a coragem (ainda) não veio...
Um dia talvés nos encontraremos
aí onde estás...

Dir-te-ei que me marcaste,
que me magoaste,
que não te respeito
que não te amo...
que não me recordo de um beijo
muito menos de um abraço...

...recordo apenas aquele homem prostrado... diante de mim!

Faz 13 anos...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Prémio Dardos



Hoje é dia de distinções por aqui... A Maria Oliveira , a Marita Ferreira e a So Maria distinguiram o Ticho como o prémio Dardos. Quero agradecer-lhes a distinção porque, apesar de não comentarem o Ticho, mostram que o conhecem, que sabem o que se vive por aqui, e reconhecem-no (será que estou a dizer algo que não o seja?!). A Maria Oliveira, a Marita e a Só Maria fazem também parte de uma serie de blogs que visito com alguma regularidade. São três blogs algo diferentes, mas também iguais, pela partilha que se vive: a Maria escreve "simples desabafos", muitos com que eu me identifico bastante (já lhe disse várias vezes, embora não sei se ela tenha consciência do quanto...), a Marita é mais como que uma defensora de causas LGBT, dando-nos a conhecer o outro lado de uma forma séria, sem extremos, mas por vezes também de forma engraçada; a So Maria mostra através da fotografia situações, sentimentos, estados de espírito, curiosidades que nos fazem pensar, mas também dizer os maiores disparates... Obrigada às três!


"Os Prémios Dardos destinam-se a distinguir os blogues que contribuem de forma significativa para o enriquecimento da cultura virtual, através da veiculação de valores culturais, éticos, literários, pessoais… premiando os blogueiros que demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo e através das formas de comunicação que utilizam para o expressar. Estes selos, foram criados com a intenção de promover o salutar convívio entre os bloggers e como forma de demonstrar carinho e, reconhecimento por um trabalho, que agregue valor à Web.”

Quem recebe o “Prémio Dardos” (e o aceita) deve:

Exibir a respectiva marca /imagem;
Linkar o blog através do qual recebeu o prémio;
Escolher quinze (15) outros blogs aos quais atribuirá o “Prémio Dardos”.

A capela
Branco Escuro
Carracinha Linda
Contemplar
Conto Aqui
Gostar de Viver
Jardim dos Segredos
Maça com Canela
MaMaRiso
More Than Words
Partilhas em Fa Menor
Procurar-se
Sonhar que é possivel acabar com a pobreza
Sonhos ao Luar
The Sound of Silence

A selecção destes blogs teve duas origens: ou são blogs que eu comento bastante, há muito tempo e que são já de amigas que ficarão, que me cativaram; ou são blogs novos que apesar de recentes (para mim), considero merecedores de tal premio pelo primeiro impacto que me causaram. Parabéns a todos.

domingo, novembro 30, 2008

Lançamento Mares d'Alma

Amanha será o lançamento do livro Mares d'Alma. Este é um livro que surgiu do sonho de criança de Elsa Sequeira e que amanha torna-o realidade. Eu, que soube há um ano atrás a sua intensão, estarei amanhã com ela a celebrar esta realização. O lançamento é amanhã, dia 1 de Dezembro, na Junta de Freguesia do Retaxo, concelho de Castelo Branco, às 18h30.

Para este dia ajudei tambem a Elsa na organização da propria festa com algumas ideias, com powerpoints que irão ilustrar e complementar todo o lançamento, escolha de músicas, etc. Foi bom poder ajudar na realização de um sonho...

E como esta ajuda não era suficiente, a Elsa pediu-me para ir ler (para não dizer declamar, porque parece-me muito formal) um poema. E pronto... Lá estarei eu a ler "A mansão do silêncio"...


Desejo à Elsa a maior sorte para este projecto, e deixo também o convite para quem quiser passar amanhã no Retaxo para conhecer o Mares d'Alma, a Elsa, a mim, e outros amigos da blogosfera que já confirmaram a sua presença.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Numa fugida...

Está na hora! O sol já vai baixo e é tempo de partir… Sim, não é que tenha hora marcada, mas não gosto de dar margem de erro… Deslizo entre as árvores, com aquela armadura que me protege o corpo, e com a astucia que me protege a armadura… Olhos bem abertos, sentidos apurados. A espada preparada para qualquer eventualidade, é a extensão dos meus membros. Atravesso florestas, pontes, subo e desço montanhas… Vou e aproximo-me devagar… Sei que não espera por mim, gosto de ver a surpresa nos seus olhos. Aparecerei de repente… Grito o teu nome para que olhes para trás e me vejas a aproximar… Corro e… Cais nos meus braços. O amor vem ao de cima, e não existe armadura que lhe resista.

Sete horas da tarde e um calor escaldante, tenho que me despachar, o Asdrubal deve estar a chegar a qualquer momento. Levanto a viseira, limpo as gotas de suor, sim, isto da porra das armaduras faz um calor do caraças, e retoco a maquilhagem, uma coisa suave, para que ele ache que é a minha beleza natural. Mantenho-me abrigada debaixo da nogueira grande, por trás do roseiral, enquanto ele se aproxima do ribeiro seco. Gosto de o observar e chegar de surpresa, pé ante pé.Mas… gritam pelo nome dele, não sou eu… espreito entre os espinhos das roseiras… uma flausina corre para ele gritando o seu nome. Não sei que feitiço lhe lançou, mas vejo o terror nos seus olhos antes de cair. Está em perigo… meu pobre amado, irei em teu auxilio Asdrubal da minha vida…“Aguenta-te meu amor!!!” Grito já de espada em punho correndo na direcção deles e o meu pobre amorzinho que recuperava, olha na minha direcção e com a emoção volta a perder os sentidos…

Depois de me cair nos braços e de desmaiar de emoção, vem de lá uma outra mulher, toda esborratada de maquilhagem, armada em fina, como se não desse para se perceber que aquilo é tudo falso… até botox! Com a armadura ainda pode pensar que passa por verdadeiro, mas eu bem sei!! Ele, volta a desmaiar, deve ter sido de susto… Mas quem não desmairia ao ve-la a aproximar-se daquela maneira? Antes de desmaiar, ouço um “ai meu Deus”. Para boa entendedora, sei que se trata de um pedido de ajuda… Pego-lhe ao colo, monto no cavalo e vou… fujimos como que de um dragão em chamas se tratasse…

"Aguenta-te meu amor!!!" Volto a gritar. Voando na direcção deles e é nesse momento que a flausina monta o seu burro e o arrasta pelo chão atrás dela. Tudo para me sacar um resgate certamente. Meu pobre amor… não deixarei que sofras nas mãos dessa tirana desbotada. Assobio com classe ao meu trovão, um belo e reluzente cavalo negro, que num segundo se coloca a meu lado. Monto o trovão e num segundo estamos em cima deles. Como pode ela ter pensado (?) que me escapava em cima daquele andrajoso daquele burro e com o Asdrubal agora que recuperara novamente os sentidos, a querer claramente fugir. Eu sei que o Asdrubal é delicado, sensível, mas é também tão forte o meu amor… aiaiiii

Olho para trás e lá vem ela montada num cavalo preto que mais parece um boi a bufar por tudo o que é lado… Deve ser do peso! Ele, agora já acordado, grita qualquer coisa que não percebia o quê pelo barulho… Estava a pedir-me para que fosse mais rapido, só podia ser essa a razão. Os meus anos de aulas de equitação teriam que servir para alguma coisa… Acelerei, curvei e fui… até me perder de vista.

Vou-vos dizer, voou! A bandida voou para longe depois do soco que lhe dei a meio dos olhos. Creio mesmo que deve ter perdido a vista. (bondade minha, assim ganha umas corzinhas e durante um tempo está poupada de ver aquele ar desenxabido…). Comigo é assim, sou uma lady, mas se mexem com o que é meu, ui, ninguém me segura muito menos aquela pirralha desbotada armada em gente.Mas a minha preocupação estava com ele, meu pobre amor… estava traumatizado, via-se… olhava em volta ainda em desespero, mas estava já seguro, enlaçado nos meus braços fortes.

Era uma besta! Fugi, corri, desviei, mas a verdade é que veio atrás e deu-me um murro! Foi aí que eu tive a certeza… Não era botox, aquilo era homem! A maquilhagem era apenas para disfarçar a barba mal aparada e a armadura era para esconder o que não queria mostrar…

“É um homem!”
“É um homem!” Gritava a lingrinhas descabelada já sem a parte de cima da armadura. Despudorada! “Claro que é um homem” Berrei-lhe de volta, estava quase capaz de a fazer lamber o fundo ao tacho outra vez. “É um homem e é meu!” Acrescentei. E foi nesse momento. Foi nesse momento que o meu Adrusbal desatou a correr em direcção ao riacho. Fugia de nós como o diabo da cruz… estava traumatizado coitadinho…

Vi, com os olhos ainda entre abertos, o Asdrubal a correr em direcção ao riacho.. Olhei para ela… Ela olhava intrigada. Desatamos a rir… Foi naquele momento que uma cumplicidade veio ao de cima. Passaram 5 anos e ainda estamos juntas, num amor que apareceu de forma inesperada…
Do Asdrubal, tivemos apenas a noticia que tinha tambem virado gay e que vivia tranquilamente para os lados da montanha.

Demorei ainda uns minutos até me cair a ficha. A deslavada ainda não tinha percebido, olhei para ela em jeito de: dahhhhh, e foi aí que desatamos às gargalhadas.Ele há coisas engraçadas nesta vida. Não é que a sacana me conquistou? A sério. Lingrinhas, deslavada e fracalhota… mas pronto, não resisti. Deve ser por causa do meu instinto protector, quase maternal…O que vos sei dizer é que estamos juntas até hoje… o Asdrubal? Bem, o Asdrubal está a viver com o abominável homem das neves desde esse dia. Foi para lá que fugiu, tal era o medo do cobardolas!

Cátia e Marta


Estes foram os comentários a este texto, mas que viraram estória. Obrigada primota, gosto imenso de viajar contigo neste mundo de fantasia...

terça-feira, novembro 25, 2008

Uma noite especial...

Descobri um tesouro, um video que mostra um dos dias mais marcantes para mim... Música de despedida de uma casa que me marcou, uma casa que me viu crescer e que cresceu connosco... Os primeiros alunos de uma faculdade são sempre quem marca a diferença e nós sentimos essa responsabilidade, a responsabilidade de sermos o exemplo, a responsabilidade de carregar o simbolo da Universidade Católica Portuguesa mas principalmente o simbolo de uma nova faculdade que precisava crescer com valores.

Partilho convosco este video, a música foi cantada para nós, finalistas, no dia de entrega de diplomas.



quinta-feira, novembro 20, 2008

Jantar dos Sem Abrigo - Formação e Campanha 2008

Falei aqui há duas semanas sobre a possibilidade de ir participar no Jantar de Natal dos Sem Abrigo de Lisboa. Pois é, inscrevi-me a mim, à minha mãe, puxei pela Catarina, que puxou por outra amiga, que está a tentar inscrever outra amiga. Na terça-feira (depois de ir buscar o meu popo novo), lá nos encontramos as 5 à hora combinada. Depois de percorrer a cidade universitária toda (que para mim mais pareceu que percorremos a cidade de Lx toda) com um frio tremendo (e quem me conhece sabe que casacos não é comigo), lá chegamos. E logo recebemos a informação: as inscrições estão fechadas e esgotadas!

Entrámos e a sala cheia. Sentámo-nos e começámos a ouvir os números: inscrições de voluntários deste ano: 1000; convidados do ano passado: 2680. O meu primeiro pensamento foi: tantas pessoas que moram nas ruas da cidade e nem damos conta... Passaram então a explicar que iam haver 20 áreas de trabalho, embora algumas não estejam a recrutar voluntários, tal é a sua especificidade.

Para além de ser "apenas" um jantar de Natal, que dura 3 dias, tem uma missão muito mais alargada que nem sempre é mencionada: Tentativa de retirar pessoas da rua. Existem 2 áreas fundamentais na festa: "Espaço aberto ao diálogo" e "Motivação" que pretendem dialogar, dar a conhecer a Comunidade Vida e Paz e tentar de alguma forma dar um primeiro passo para o encaminhamento para ingressarem no caminho da saida da rua. Do ano passado 163 estiveram no Espaço aberto ao diálogo e 18 fizeram o caminho. Como disseram e fizeram passar a mensagem: "Mesmo que fosse apenas 1 já teria valido a pena!".

Entretanto deram-nos a conhecer a Campanha deste ano que está em curso mas que, ao contrário do ano passado, não está a ser convenientemente divulgada pelos média.

Este Natal não olhe só para o exterior... Pequenas Peças, Fazem Grandes Diferenças!
Campanha de Angariação de Roupa Interior para os Sem Abrigo de Lisboa
Comunidade Vida e Paz

Este Natal não olhe só para o exterior... Pequenas Peças, Fazem Grandes Diferenças!Objectivo – angariar 10.000 peças de roupa interior novas - meias e cuecas - até dia 19 de Dezembro!

Para quem estiver interessado em aquecer os dias e as noites... A Roupa Interior - cuecas e meias - deverão ser entregues ou enviadas para:

Campanha – Pequenas Peças, Fazem Grandes Diferenças, Comunidade Vida e Paz
Rua Domingos Bom tempo, nº 7
1700 – 142 Lisboa


Fico a contar com a vossa participação... E nos dias 19, 20 e 21... lá estaremos nós a ajudar!!

quarta-feira, novembro 19, 2008

Desejo de felicidade...

Hoje venho escrever umas palavras para uma amiga, uma amiga do Ticho há mais de 1 ano e meio (não consegui descobrir o primeiro comentário, nem como nos encontrámos neste mundo, mas o primeiro comentario que descobri aqui data 4 de Abril 2007).

Estivemos presentes em momentos bons e menos bons (e existiram alguns, não foi?). Se calhar nunca estive tão presente nem tão próximo como poderia estar, é verdade... Mas é também verdade é que nos vamos acompanhando de forma mais ou menos constante.

Esta amiga está a passar agora momentos de grande felicidade, e dei por mim a ficar feliz, muito feliz com a sua felicidade... Isto não é amizade? A data estava marcada, lembrei-me alguns dias antes, no dia e alguns dias depois, tentando ter notícias. As notícias chegaram e sente-se agora, em cada palavra, uma felicidade que tranparece.

Sei que estamos presentes de forma apenas virtual, mas como costumo dizer, existe alguém bem real do outro lado do ecran, alguem com sentimentos e emoções e que é tocada por tudo o que lhe oferecem, mesmo apenas através de palavras... Torço por ti querida, desejo-te, de forma muito sincera, as maiores felicidades do mundo, e que depois de algumas curvas, vás agora directo à felicidade. Nem tudo são rosas, existirão também alguns momentos menos agradáveis, mas que tudo seja tido como uma forma de crescer.

Estas são apenas mais algumas palavras, uma carta aberta aqui no meu sitio. Eram para ter vindo para aqui há um mês atrás, mas não vieram, talvez porque achasse que não chegariam a ti, nessa altura... Mas hoje termino com algo que acho que nunca te disse, mas é sincero: Gosto muito de ti.

terça-feira, novembro 18, 2008

Já sou crescida...

Quando sabemos que estamos crescidos? Quando começamos a votar? Quando acabamos um curso e começamos a trabalhar? Pois bem, as ultimas semanas têm sido uma loucura de uma até saborosa... Agora sinto-me que estou a ficar crescida (ok, não me refiro ao tamanho...) em responsabilidade... Sinto-me crescida e tenho "forçado" a que os outros me vejam assim...

Comprei um carro novo, um carro meu, que tenho a obrigação de pagar nos próximos anos. Fui eu que tratei de tudo sozinha, desde a visita aos stands, escolha do carro, do modelo, test drive, pedidos de simulação de financiamento, negociação do financiamento, pedido de simulações de seguros, negociação (ok, aqui tive ajuda da minha mediadora...), etc. E... daqui a umas horas vou busca-lo.




Vamos dar uma volta?

sábado, novembro 15, 2008

Parabéns...



Hoje queria dizer-te mil palavras, felicitações que tantos já te disseram... Hoje deixo uma música que já assistimos juntas e ao vivo... Uma musica especial que gostas e que te toca...

Ao som desta música digo que gosto muito de ti, daquela mulher louca e uma menina doce que aprendi a conhecer e a gostar... muito! Parabéns Plim!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Coração precioso...

Todos na rua conheciam a D. Esmeralda, que apesar de saberem que não era esse o seu verdadeiro nome, todos a tratavam assim. Era um doce de senhora para todos, e por isso muito respeitada também. D. Esmeralda enviuvou muito cedo, e criou, sozinha, filhos muito jovens ainda e três filhos que veio a adoptar depois. Apesar da idade, a D. Esmeralda era uma pessoa linda, com os seus cabelos cinzentos sempre bem penteados, com as suas leves rugas que lhe desenhavam a cara, e com aqueles olhos verdes cheios de ternura.

No bairro onde morava, a porta de sua casa sempre foi uma porta aberta para todos. Todos os dias, a D. Esmeralda colocava sete pratos na mesa, cinco para os filhos, um para si, e um ficava de sobra, porque haveria sempre alguém com fome para alimentar. A comida nem sempre era muita, mas com boa vontade, aquela que sempre teve, juntava um pouco mais de água, mais uma batata ou uma cebola, e lá havia um pouco mais de sopa.

Com algum esforço terminou o curso e tornou-se enfermeira no hospital da zona. O seu trabalho sempre foi conhecido e reconhecido por todos, mas o que lhe era mesmo reconhecida era a bondade com que encarava a vida. Muitas eram as vezes que entravam pessoas doentes no hospital, mas que ela reconhecia no olhar que apenas precisavam de um agasalho e de um prato de sopa quente, e meia hora depois, a maleita estava curada, pelo menos até à próxima noite fria.

Numa noite de frio intenso, a meados de Dezembro, entra José Afonso pela porta das urgências, com o seu pequeno filho Gonçalo nos braços, depois de ter sido atropelado por um carro que se pôs em fuga. José Afonso era um dos homens mais ricos da cidade, tinha várias empresas na região e era homem de muitos contactos internacionais. Era um homem respeitado, admirado, mas também temido, tal o seu poder. A sua entrada ali era de todo inesperada, mas não havia tempo para surpresas, o pequeno Gonçalo precisava de ajuda e atenção urgente.

Rapidamente uma equipa de médicos e enfermeiros correu em seu socorro, levando de imediato o pequeno rapaz para a sala de observações. Alguns exames, radiografias, TAC’s e foi levado para o bloco operatório. Gonçalo corria risco de vida e ia ser sujeito a uma longa operação que iria entrar pela noite fora, e que iria ser certamente a noite mais longa de José Afonso.

A D. Esmeralda, que estava de serviço nessa noite, e apesar dos muitos utentes que atendia, tinha sempre uma atenção para os que a rodeavam, e para os que mais precisavam. Naquela noite, tinha ali na sala de espera aquele homem imponente e rico, em sofrimento. Naquela noite, era ele que precisava de um pouco de ajuda. Apercebendo-se da sua aflição, foi informar-se sobre o estado do menino e foi até a sala. Sentou-se na cadeira ao lado de José Afonso, que anestesiado pela dor e preocupação, não se apercebeu da sua chegada. Ela colocou a sua mão sobre o sobre o ombro e sorrindo, tentando passar alguma serenidade, disse-lhe que a operação ainda iria demorar, mas que iria correr tudo bem. Ele olhou-a com surpresa, mas depois encontrou ali, naquele gesto, naquele, naqueles olhos verdes e tão verdadeiros, o carinho, a paz e a confiança que precisava. Ela ficou ali em silêncio mais 5 minutos junto dele, depois teve que voltar ao serviço. As visitas aquela sala foram frequentes durante aquelas horas.

As horas foram passando e no inicio do dia, houve noticias. A operação tinha corrido bem, mas as próximas 48 horas eram fundamentais para o desenvolvimento do estado de saúde da criança. D. Esmeralda ouvia atenta estas palavras que o Senhor Doutor transmitia, do outro lado da sala a José Afonso. Depois do médico ter voltado para dentro, José Afonso virou-se e encontrou, lá ao fundo, aqueles olhos que o observavam como a mesma serenidade e verdade do início da noite. Ela sorriu-lhe e desejou-lhe um bom dia, estava de saída para casa. Ele ainda tentou dizer-lhe alguma coisa, mas antes que o conseguisse, já a senhora tinha saído pela porta.

O dia foi passando e não havia novidades do Gonçalo. Ele estava ligado às máquinas e não havia meio de acordar. José Afonso, desesperado com a situação, e abatido pelo cansaço, decidiu ir caminhar um pouco para apanhar ar. A noite estava particularmente fria, mas isso não o importava. Foi andando sem pensar em nada, mas com um turbilhão de sentimentos no coração. Uma rua atrás de outra, virando aqui e ali, e indo sem destino… De repente ouviu, de uma forma quase silenciosa, uma voz que lhe pareceu familiar. Olhou um pouco mais em frente e viu a D. Esmeralda a sair de sua casa. Ia precipitar-se para ela, quando algo o fez parar, e ficou apenas a observá-la.

A D. Esmeralda transportava consigo algo enrolado que parecia um cobertor. Atravessou a rua, seguiu uns 100 metros mais a frente e foi entregar aquela manta a um homem, que se encontrava por ali deitado, meio enrolado no meio do frio. Naquele momento, ao observar aquele momento e no meio de tantos sentimentos que trazia, José Afonso começou a chorar. No seu íntimo, tinha considerado inicialmente aquela senhora como apenas mais uma profissional, que apenas estava a ser simpática porque o reconhecera, mas ali estava a prova da sua generosidade…

Quando D. Esmeralda regressava para casa, ele escondeu-se nas sombras da noite para não ser visto, não queria que de alguma forma ela fosse surpreendida depois daquele gesto tão pessoal e doloroso, por se confrontar com a realidade daquele homem ali deitado. Depois de ter entrado em casa, José Afonso voltou para o hospital, mas aquela imagem marcara-o.

Os dias foram passando, e felizmente o pequeno menino acordou e foi recuperando melhor que o esperado. Dois dias antes do Natal, estava recuperado o suficiente para ir para casa. Aquele Natal foi de comemoração intensa naquela luxuosa casa, presentes e mais presentes, comida, doces, e tudo o que tinham direito, naquele momento de felicidade.

Mas aqueles dias passados no hospital, aqueles gestos da D. Esmeralda não foram esquecidos. Assim que pararam as chuvas, começaram as obras de um empreendimento junto aquele bairro, que ninguém conseguia perceber a que se destinava. As dúvidas surgiam, muito se questionava, mas as respostas não chegavam.

Um dia, no inicio do tempo frio, tocaram a porta da D. Esmeralda. Como era hora de jantar, não era de estranhar que fosse algum “convidado” para uma sopa quente. Quando abriu a porta, viu do lado da porta, alguém que não esperava: José Afonso. A surpresa era grande, não poderia sequer imaginar a razão para tal visita. Depois de entrar, José Afonso informou que um ano antes tinha estado ali, naquela rua, e que ela tinha-lhe ensinado o que era a generosidade, o que era dar. E principalmente ensinou-lhe que se pode dar sempre, mesmo quando não se tem muito. Mas quando se tem, deve-se dar ainda mais, porque nunca se sabe quando se virá a precisar também. Durante aquele ano, ele tinha mandado construir um centro de acolhimento para sem abrigos, e vinha ali pessoalmente para lhe agradecer e para lhe pedir que ela fosse madrinha daquele centro.

Ela ouvia-o incrédula mas feliz e aceitou, quase sem palavras, apadrinhar aquela causa que lhe era tão querida. Minutos mais tarde, quando ele se dirigia para a porta, voltou-se para ela, aproximou-se e deu-lhe um abraço. Ela confortou-o nos seus braços, a experiência tinha-lhe ensinado a importância e o significado daquele gesto. Depois, ele disse-lhe: Sei porque todos lhe chamam Esmeralda, porque para além de ter esses olhos verdes que brilham no escuro, tem um coração precioso!

CA.

Este foi o meu conto enviado para a Crioestaminal na sequência do projecto CrioNatal 2008, com contributo para a Casa do Gil. Outros cinco contos foram enviados por amigos do Ticho. Um deles encontra-se aqui.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Deixo-te um Jasmim...

Hoje queria dizer-te muita coisa... Hoje queria dizer-te que confio em ti como confio em poucos nesta vida... Hoje queria dizer-te que a nossa Amizade é especial, e que perdurá para além do tempo e do espaço... Hoje queria dizer-te que me preocupo contigo, como me preocupo comigo... Hoje queria dizer-te que és importante para mim e que é muito importante ter-te na minha vida... Hoje queria dizer-te que tive medo, um medo terrível de te ver sofrer ou até mesmo de te perder... Hoje queria dizer-te que gosto muito de ti... Hoje deixo-te um Jasmim, e deixo que o seu perfume fale por mim...

quinta-feira, novembro 06, 2008

Voluntariado?

Certamente que se lembram da campanha que houve o ano passado da Comunidade Vida e Paz, sobre "junta a tua meia a minha", no sentido de juntar meias para os sem abrigo. Referenciei aqui e participei, na medida do que me foi possível. No início de Dezembro o armazém foi assaltado e todos os bens foram roubados: as meias e os bens alimentares e outros a distribuir no Jantar de Natal. Fiquei triste na altura, já que a minha ajuda tinha sido em vão, mas não baixei os braços: fui ao supermercado, comprei bens alimentares e fui entrega-los pessoalmente.

Na altura, embalada pela onda de solidariedade, falei com os meus pais, que também contribuiram com bens, em participarmos como voluntários. Estavamos os três de acordo, no entanto, já haviam mais de 1500 voluntarios inscritos, e a formação já tinha sido dada, e por isso não podemos ajudar. A verdade é que fiquei com esta história na cabeça todo o ano, e agora em Outubro fui ao site e estão a receber os voluntários. Falei com os meus pais e estão dispostos a alinhar, como combinado desde o ano passado.

A verdade é que ainda não nos inscrevi... É muito facil falar e mais dificil de concretizar. É facil escrever aqui sobre pobreza, sobre sem abrigos, e como tantos outros temas que tenho escrito, e acho que todos podemos fazer um bocadinho para ajudar, mas... Há sempre um mas. Os sem abrigo são quase considerados por todos como "paisagem da cidade". Vamos na rua, vemos um, desviamo-nos, como desviamos de um sinal ou de um buraco, e seguimos em frente. Não os queremos ver! Mesmo quem diz que sim, mesmo quem fala no assunto, como já foi aqui falado. E trabalhar para eles, é "ter que" ver, "ter que" ter contacto com a realidade que é dura e por vezes mais cruel do que se imagina...

Estou a adiar a inscrição, embora não o possa fazer por muitos mais dias... Mas acho que no fundo há algum receio da minha parte, algum desconforto... Não é tão melhor andar num bom carro, com roupas de marca, e andar a comer em restaurantes? É verdade... Mas acho que está na hora de passar das palavras à realidade.

Alguém me acompanha? Vamos numa de fazer algo pela comunidade e tomar consciência da realidade?

domingo, novembro 02, 2008

Presente de Aniversário...

O Ticho fez dois anos, há menos de 1 semana. Muitos foram os amigos, amigos queridos, que apareceram para celebrar comigo o início desta casa que é nossa. É bom ser acarinhada, é bom ter presente, nas datas importantes, aqueles que de que tanto gostamos.

Hoje o Ticho recebeu um presente de aniversário. O presente chegou-me através de um mail da Cristina que felicitava a existência do Ticho, felicitava a amizade e o carinho que se vive por aqui, e que se sente. Felicitava ainda este mundo da blogosfera por criar a oportunidade de nos conhecermos e de criar uma verdadeira amizade, assim como conheci tantos outros amigos especiais por este meio.

O presente foi assim explicado: "Não é uma estatueta de ouro (até porque de actriz não tens nada: és muito autêntica!), mas é um "B" de ouro para que possas colocar no Ticho distinguindo-o, assim, como blog de ouro!". O Ticho foi assim classificado e eleito como Blog de Ouro.




Cristina, a ti e a tantos outros amigos que me leem aqui digo que, o que torna esta casa especial é a tua e a vossa presença aqui, a tua e as vossas visitas constantes, a tua e a vossa Amizade... O facto de me permitires e de me permitirem que eu entrasse na tua e nas vossas vidas assim, de coração aberto. O Ticho permitiu facilitar o encontro, mas coube-nos a nós fazer com que a Amizade acontecesse. Existem amigos aqui, que me acompanham há quase dois anos, alguns mais, outros há apenas alguns meses, mas a Amizade reina. O meu dia-a-dia mudou, a minha vida mudou, e eu cresci com todos vós, aqui.

O facto do Ticho ser considerado um blog de ouro, deixa-me orgulhosa. Orgulhosa de algo que eu criei, mas orgulhosa de mim mesma. Este é o prémio que reconhece e assinala tudo de bom que tenho feito e construido aqui, convosco... Inclusive, eu mesma e a minha forma de ver o mundo.

Obrigada por tudo, pela Amizade, pelos momentos felizes, pelas lágrimas e desilusões partilhadas, pelo aprender, pelo sofrer em comunhão. Obrigada pelo silêncio que nos fala ao coração...

terça-feira, outubro 28, 2008

Desafio: Um conto de Natal em 3 dias...

No final da semana passada a Fa Menor enviou-me uma notícia que me falava do Projecto CrioNatal 2008. O Projecto CrioNatal 2008 é um projecto desenvolvido pela Crioestaminal para auxiliar a Casa do Gil.

O Projecto CrioNatal 2008 pretende reunir os mais belos Contos de Natal que, depois se serem previamente seleccionados e analisados irão “dar vida” a um livro onde a magia do Natal será contada “ao sabor” de todos aqueles que aderirem a esta iniciativa. Por cada conto recebido, a Crioestaminal compromete-se a doar 50 euros à Casa do Gil.

Após receber a notícia entrei em contacto, por diversas vezes com a Crioestaminal, e recebi hoje a confirmação que o projecto será para participação de todos e não apenas de clientes. Os contos deverão ser enviados até dia 31 de Outubro para o email: info@crioestaminal.pt.

Eu e a Fa estamos a começar a escrever (na verdade ainda não comecei, mas ja tenho uma ideia, pormenores!). Com pequenos gestos, podemos fazer alguma diferença. Faço-vos um desafio: Vamos escrever um conto de Natal? Sei que o tempo é pouco e que ainda estamos um pouco longe do espírito Natalicio, mas vamos por impulso... Aos que acederem a este desafio, se quiserem, enviem-me os contos que terei o maior prazer de o publicar aqui.

Boas escritas!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Dois Anos...

Faz já dois anos que abri esta casa. Nesse dia estava longe de imaginar que, para além de abrir um blog, estava a abrir as portas da minha vida a tanta gente, pessoas fantásticas que foram entrando e ficando no meu coração.

Hoje é com orgulho imenso que vos apresento como Amigos, porque o são mesmo. Já pude dar o abraço apertado que tanto queria a alguns, a outros ainda não, um dia talvez... Mas estão todos no meu coração, e de uma ou outra forma, fazem parte do meu dia-a-dia. Vocês conhecem-me bem, conhecem episódios da minha vida que poucos daqui, deste lado do ecran, conhecem. Conhecem-me os sentimentos, os estados de espírito e até as dúvidas e as desilusões.

Para mim a Amizade pura e sincera, o estar disponível, o poder ajudar, o acariciar, o prestar atenção, o apoiar é fundamental. Por isso, hoje, neste dia que celebro o segundo aniversário desta casa que é nossa, digo: Amigo, gosto de ti desde aqui até à Lua, gosto de ti desde a Lua até aqui. Gosto de ti simplesmente porque gosto, e é tão bom viver assim...


Obrigada a todos vós, por estes dois anos fantásticos de cumplicilidade e partilha...

CA

domingo, outubro 26, 2008

temporariamente em obras


Durante o dia de hoje o Ticho encontra-se em Obras. É normal que encontre o Ticho sujeito a algumas alterações. Retomaremos dentro de possivel...

quarta-feira, outubro 22, 2008

Vou...


Espreito.
Espreito devagar.
Espreito por lá.
E olho.
O que olho?
Olho para lá.
E vejo.
Quero ver.
Ver sem ver,
mas ver.
E sigo.
Sigo para a frente.
Sigo enfrentando.
E vou.
Vou por mim.
Sei que vou.
Quero ir.
Vens?

segunda-feira, outubro 20, 2008

Opiniões que não consigo compreender...

Existem coisas que me fazem tirar do sério mas a incompreensão, a falta de tolerância, e a pretensão de sabedores do mundo, não permitem que fique calada. Na sexta feira passada chegou até mim um email com referência a um texto que fui ler, naturalmente. Depois de o ler juro que tentei controlar-me, mas decidi não deixar passar em branco este assunto. No Ticho fala-se de tudo, e este assunto nunca foi aqui tratado. Hoje é o dia!

O texto, intitula-se "Homossexualidade" e comecei a lê-lo, perdendo o meu tempo, considerando que haveria algo de interesse para ler. A introdução ao texto começa da forma brilhante dizendo que nada tem contra os homossexuais, apenas não aceita a homossexualidade. Continua afirmando que vivemos numa sociedade tolerante, mas não podemos aceitar os homossexuais; não devemos discriminar, a não ser que sejam homossexuais; e que se deve saber ouvir "não!", como se os homossexuais fossem crianças a pedir um brinquedo. Ainda na introdução percebe-se que a pessoa que a escreveu não sabe muito sobre a homossexualidade, porque refere a mudança de sexo (uma das principais razões da sua indignação contra a homossexualidade - errada!). Nessa altura perguntei-me se se falava de homossexuais se de transsexuais... mas continuei a ler. O texto propriamente dito traduz-nos a ideia de que os homossexuais são todos uns anti-normalidade, pessoas horriveis e ignorantes. No fim o único comentário que fiz para comigo mesma foi: "como é que há pessoas que conseguem escrever tantos disparates?".

Conheço alguns homossexuais, alguns pessoalmente, outros apenas por via da blogosfera. Os homossexuais são as pessoas com quem nos cruzamos na rua, são homens e mulheres da nossa sociedade, são professores, contabilistas, advogados, jornalistas, etc. Homossexuais, são homens e mulheres que amam outras pessoas, tal como cada um de nós, porque mais do que amar um género, amamos pessoas como um todo!

Algumas das pessoas que conheço têm filhos de outras relações ou até mesmo adoptadas. As crianças/jovens são miudos normais que brincam e passeiam como os amiguinhos, que vão à escola e tiram boas notas. São pessoas com valores (porque os homossexuais também os têm), a diferença destas crianças/jovens é que estes são mais abertos e preparados para o mundo, sabem bem o que é a tolerância, sabem que o importante é amar e sabem dar valor ao próximo, coisas que não sei se os filhos de todos os heterossexuais sabem (principalmente se os pais derem exemplos de repressão e discriminação destacados no texto).

Há algumas perguntas que me surgem quando se fala e opina sobre a homossexualidade: Quantas vezes nos perguntam na rua quantas vezes fazemos sexo e com quem? Será que andam com binóculos a ver se me deito com este ou com aquele? Porque será que estas pessoas pensam que têm o direito de o fazer com os homossexuais? Os homossexuais são pessoas com os mesmos direitos de liberdade e de privacidade que todos os heterossexuais. Que direito temos de falar sobre os parceiros das outras pessoas?! Será que não temos mais nada com que nos preocupar na vida?

O texto original faz ainda um "ps", perguntando onde estão os cristãos no meio de tudo isto. Eu acredito em Deus, só não sei se é o mesmo Deus destas pessoas. O Deus em que eu acredito é tolerante e ama todos os Seus filhos de forma igual. Os mandamentos falam em "Amar ao próximo como a nós mesmos", mas parece que para algumas pessoas depende do "próximo". O Deus que acredito não vira as costas a ninguém, quem vira somos nós, humanos imperfeitos.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Neste jardim...

Sento-me neste jardim. Gosto de vir até cá e sentir esta tranquilidade. Vejo estas estrelas a cintilarem neste céu escuro que nem pirilampos e ouço o som da água daquela fonte distante a cair como uma melodia serena e suave, que nem acordes cuidadosamente colocados numa pauta de música. Sinto o perfume intenso das várias flores que ladeiam todo este lugar a entrar em mim e a percorrer-me todas as minhas veias. Sinto uma paz imensa...

Olho ao fundo e vejo o parque infantil abandonado pelo adiantado da hora. São escorregas, baloiços, cavalinhos e outras diversões. Está tudo ali, suspenso por algumas horas. Durante o dia, é uma agitação sem igual, com crianças de todas as idades a correrem entre todos estes recantos, a cantarem, a dançarem e a brincarem a jogos sem fim. Eu própria, há alguns anos, trazia aqui os meus filhos. Que boas recordações...

Mas a verdade é que a realidade da minha vida agora é bem diferente, e o que era, agora já não é mais. Depois do divórcio, o rendimento ficou demasiado curto para dar face a todas as despesas, e começou a gerar-se uma bola de neve na qual me enrolei e embrulhei. O dinheiro não chegava e comecei a cortar nas futilidades, depois nos hobbies, na roupa, na renda de casa que ficou por pagar... A depressão e o desespero tomaram conta de mim sem eu me aperceber. Mas também como aguentar tudo aquilo sozinha? Começou a falhar o trabalho e em menos de uns meses perdi também o emprego. Foi quando tive que começar a cortar na comida, na minha e na dos meus filhos... E aí decidi parar e resolver a minha vida.

Os miudos agora estão em casa da minha irmã que cuida deles como filhos, são bem alimentados, têm horarios, vão à escola e um dia terão estudo e uma profissão. Serão uns grandes homens de amanhã e de quem sentirei muito orgulho.

A mim pouco me sobra para além de algumas contas por pagar, aquelas que ficaram pendentes desde o outro tempo. Tirando isso, tenho este banco de jardim, que tanto é janela para o mundo, como cama ao deitar.


(foto de Alex Gandum)

Hoje é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza... Estejam atentos e se puderem contribuam porque este é um problema que se tem vindo a agravar ao longo do tempo... E lembrem-se que, ninguém está a salvo que, de um momento para o outro, também se encontre a precisar de ajuda. Levanta-te por esta causa...

terça-feira, outubro 14, 2008

Hoje queria escrever...

Hoje queria escrever... Queria escrever sobre amizade, sobre compreensão, sobre partilha. Hoje queria escrever sobre momentos vividos, conversas tidas, sobre silêncios partilhados. Queria falar das lágrimas caidas, dos sorrisos cúmplices, das gargalhadas deitadas. Hoje queria falar daqueles momentos que são bons apenas pela presença, pela companhia, pela conversa intensa, mas também pelos disparates ditos.

Hoje queria dizer que é muito bom poder estar perto, poder estar ali. Se são gargalhadas que damos, damos em conjunto, mas se são lágrimas que caem, é bom poder estar ali a uns centímetros de um abraço, de um carinho, ou apenas e só de um escutar atento, uma presença que diz que não estamos sozinhos, que temos alguém que nos escuta de verdade, como se o mundo não existisse lá fora. Hoje queria falar daquelas conversas tidas, daquelas que tinhamos medo de ter com o nosso interior, mas que já demos por nós a tê-las em conjunto.

Hoje queria falar de um reencontro, porque o foi, não foi? Quanto tempo já tinha passado? Não sei bem, o tempo flui ordeiramente na desordem entre o espaço e a experiência. Não é o tempo a quarta dimensão?! Talvez o encontro tivesse sido já noutros espaços, noutros tempos, noutras dimensões ou noutras vidas.... Mas o que interessa?

Hoje queria escrever, queria falar, porque amigo é também aquele que diz o quão gosta do outro e o quanto é importante na sua vida. Mas hoje prendem-se em mim todas as palavras. Não falo, deixo fluir o silêncio, porque também o silêncio se tornou agradável...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Encontrar+se...

Como já todos se habituaram, por aqui fala-se! Hoje não podia deixar de falar do Dia Mundial de Saúde Mental. Não venho falar dos "coitadinhos" que tantos preferem não ver, ou ignorar. Venho falar de uma Associação e de um Movimento, que trabalham em conjunto, e que acompanho (mesmo de longe e sem qualquer contributo - ainda!) há vários meses!

A Associação Encontrar+se é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que surge da Necessidade de desenvolver soluções para as dificuldades encontradas no desenvolvimento, implementação, avaliação e investigação de respostas adequadas às exigências próprias da reabilitação psicossocial das pessoas com doença mental grave.

O Movimento UPA - Unidos Para Ajudar, cujo o mote é "Levanta-te contra a discriminação das doenças mentais", procura de forma responsável levar as pessoas a dar o primeiro passo que fará toda a diferença no entendimento e aceitação das doenças mentais.

Entre Janeiro e Outubro o Movimento UPA envolveu alguns dos mais significativos nomes da música portuguesa. Todos os meses, foi lançada uma música que resulta da parceria de duas personalidades / grupos marcantes da nossa música, alusivas aos temas propostos pela Encontrar+se.

As parcerias foram: Xutos e Pontapés / OIOAI, Rodrigo Leão / J.P Simões; Camané / Dead Combo; GNR / The Gift; Sérgio Godinho / Xana; José Mário Branco / Mão Morta; Cool Hipnoise / Tiago Bettencourt; Mariza / Boss AC (estreou hoje); Jorge Palma / Clã (em breve disponível).

As músicas podem ser ouvidas no site do UPA, e pode ser feito o download individual destas, pagando uma quantia à escolha. No entanto, a 17 de Novembro haverá o lançamento de um cd / dvd, com estas músicas, videoclips, videos, testemunhos dos artistas, etc. Um optimo presente de Natal para todos! Os meus estão garantidos...

Deixo-vos um video (não oficial) da 1ª música: Pertencer dos Xutos e OIOAI. Porque é preciso e é possível Pertencer...



quarta-feira, outubro 08, 2008

Enquanto esperas...



Enquanto esperas pelo encontro,
Enquanto esperas na (falsa) esperança
Enquanto esperas pela presença,
O sorriso,
O olhar,
Enquanto esperas pelo encontro que não chegará,
Pela esperança que te libertará,
O sorriso,
O olhar
que recordarás,
Enquanto esperas... está!
Enquanto esperas... ama!
Enquanto esperas pela eternidade que chegará... Vive!


Há duas semanas encontrei um Oásis no meio de um deserto. Um Oásis que prometia ser a área isolada no meio de algo existente, onde correriam sentimentos profundos, como água. Quem assina chama-se Zahir, que segundo a cultura asiática diz que, uma vez tocado ou visto não se pode esquecer mais. Não esqueci, e voltei dia após dia aquele Oásis, tão recente, mas puro, sensível e profundo. Ontem encontrei um post que me tocou, pelos seus jogos de palavras mas principalmente pela mensagem. Respondi-lhe lá, mas agora quis fazê-lo aqui, desta forma.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Objectivos...


Eu sempre soube o que queria para a minha vida. Sim, é verdade que sabia, ou pelo menos tinha algumas ideias. Mas a verdade é que quando somos muito jovens tudo nos parece fácil de conseguir. Mas quando começamos a trabalhar, vêm algumas responsabilidades, alguns encargos, e começa-se a ter a noção que existem entraves... Depois vem o comodismo, e esse é o maior inimigo de qualquer objectivo que tenhamos.

Este fim-de-semana, em conversa com uma amiga disse: "eu sempre soube muito bem o que queria para a minha vida". Mas depois pensei um bocadinho e acrescentei: "ando é um pouco afastada, mas voltarei ao caminho".

A conversa ficou a martelar-me na cabeça. Como é que eu me permiti desligar o motor e ir ao sabor do vento? Não posso, quero muito mais que isto, tenho as minhas ambições e não posso deixar de lutar, porque a vida passa e não espera por mim.

Tomei várias decisões, tanto a nível profissional como ideológico. Decisões que tenho que realizar entre hoje e o final de 2009. Entre elas estão: Vou tornar-me militante de um partido político (decisão que está adiada desde 2003/2004); tenho que candidatar a publicação de um / dois artigos ciêntificos; tenho que voltar a estudar (outro mestrado/ pós-graduação/ MBA/ doutoramento). Para além disso, quero ainda levar a minha escrita mais a sério. O que vier a mais para além disto, é optimo. Menos é que não!

Na passagem de ano costuma-se fazer pedidos para o ano novo e promessas para cumprir. Pois bem, ao Ticho a passagem de ano chegou mais cedo!! Feliz 2009!

sexta-feira, outubro 03, 2008

6 coisas...



Ora bem, há algum tempo que já não tinha um desafio no Ticho, mas hoje é o dia.

6 coisas com que me preocupo?

- Com a minha família mais chegada;
- Com os meus amigos queridos
- Com os outros em geral (mas só com os que merecem)
- Com o futuro;
- Com a economia mundial;
- Com a sobrevivência, minha e de muitos.

6 coisas com que não me preocupo?

- Superstições;
- Dinheiro;
- Revistas cor-de-rosa e vida dos famosos;
- Bebidas alcoolicas;
- "Diz que disse";
- Saidas à noite tardias e repetidas, que nem uma rotina.

6 coisas que eu gosto?

- Escrita / Literatura;
- Cinema/ teatro;
- Estar com os amigos numa boa conversa;
- Sentir que estou sempre presente quando os amigos precisam;
- Estar na cama enquanto chove lá fora;
- Café.

6 coisas que eu não gosto?

- Violência;
- Injustiça;
- Falsidade;
- Mentira;
- Desinteresse;
- Presunção.

6 coisas que me fazem sorrir?

- Conversas sem nexo;
- Um carinho sincero;
- Uma atenção desinteressada de um amigo;
- Uma piada inteligente;
- Crianças;
- Um gesto de boa vontade.

6 coisas que me entristecem?

- A ingratidão;
- O desinteresse;
- O abandono de crianças, idosos e animais;
- A tristeza dos amigos;
- A perda de alguém;
- A saudade.

6 coisas que me definem?

- Amiga;
- Teimosa;
- Sempre disposta a aprender;
- Confiante em mim (às vezes)
- Baixa auto-estima (outras vezes);
- Confidente.

6 blogs que desafio?

Como considero que desafios destes ajudam a conhecer as pessoas, decidi passar este desafio aos amigos recentes por aqui, uns mais que outros é verdade, mas quem gosto de visitar.

- A Capela - Um sitio onde se fala de religião... e de muito mais.
- Branco Escuro - Um sitio de uma simplicidade e sinceridade fantástica.
- Contemplar - As portas abertas da casa de uma Amiga de verdade.
- Fluxos Magnéticos - Um blog que ainda estou a descobrir e a gostar
- Oásis - Apesar de ser um blog (muito) recente, gosto de passar por lá, adivinho que se passarei lá grandes momentos
- Procurar-se - Os desabafos e a abertura aos outros de alguém que se procura
- Simplesmente Morim - Amores e desamores, Diário de uma Aborrecente ;)

quinta-feira, outubro 02, 2008

Quem Lê...


Quem aprende crava o pedúnculo na terra da mente. Quem lê, se ler num movimento de abertura da mente e com o espírito do pensamento, se ler da esquerda para a direita ou vice versa, da direita para a esquerda, colocado sobre o nascimento de algo novo, é pessoa que não tem em permanência o sonho parado pelo tempo. O sonho tem quem tem a visão da leitura como um espelho. Um espelho que de pessoa, e leia-se como pessoa, é uma cadeira que se senta sobre a paisagem de conhecimento, embora seja mais conforme com a viagem.

CA

domingo, setembro 28, 2008

Queria ser escolhido...

Acordo bem cedo, mas gosto de ficar ali na cama a olhar para aquele espaço cheio de pessoas, e vazio de memórias... "Será que é hoje?" Não sei quem me ensinou esta frase, esta pergunta, mas sei-a de cor, repito-a todas as manhãs. A verdade é que não sei ainda acredito que o "hoje" pode chegar. "Será?"

Vivo nesta casa há 11 anos, no total dos meus 12. Tenho os colegas, as pessoas que cuidam de mim, a minha escola, mas... Falta-me algumas coisas. Queria um quarto só meu com coisas compradas para mim... Queria alguém se preocupasse realmente comigo, com as minhas notas e que parasse com a sua labuta só para me ouvir contar o que se passou no meu dia. Queria uma festa de anos, com bolo e presentes, com amigos, e quem sabe até com um palhaço? Queria poder jantar à mesa onde se contavam as novidades, historias e ensinamentos. Queria que me ajudassem a fazer os trabalhos da escola, que me ensinassem a andar de bicicleta, a construir pequenas coisas e a jogar à bola... Queria aprender o significado de preocupação, e de carinho. Queria saber o significado da palavra família, e o poder de um abraço. Queria tanto uma historia contada ao deitar, um abraço e um beijo de boa noite...

Sonho acordado com tudo isto, vejo-me a correr, a brincar e a sorrir num jardim grande de um casa bonita. Cada vez que vejo um casal a entrar pela porta penso: "Olá, estou aqui e sou um bom menino. Não me querem conhecer?" Mas depois sou puxado para a realidade... Há 11 anos que espero, que sonho, mas os dias vão passando, as pessoas vão entrando e saindo e ouço continuamente aquele sussurro: "Ele não, que é grande demais, queremos uma criança pequenina..." Esta frase já não me faz chorar como me fez, das primeiras vezes... Aceito-a agora com normalidade. Vou ficando aqui até que um dia decidam o meu futuro.

CA

Nota Posterior: Ao escrever estes post "temáticos" a minha intensão é sempre colocar as pessoas a pensarem. Como eu costumo dizer, enquanto me leem e comentam pensam 5 minutos sobre o tema. Tento escrever algo que seja semelhante à realidade, mas (in)felizmente existem realidades que não conheço. Após escrever este texto, veio-me a chamada de atenção do Jorge:

Na realidade as pessoas não vão aos centros de acolhimento ver as crianças, aquela parte do "Ele não, que é grande demais, queremos uma criança pequenina..." ", realmente não é suposto acontecer. A segurança social apresenta os dados de uma criança especifica a quem quer adoptar e só depois de haver uma resposta positiva para aquela criança é que as pessoas vão ao centro de acolhimento... mas é ver aquela criança, não escolher uma criança.

A verdade é que, em todo o caso, existe a escolha, seja presencial ou em processo... Mas fica a informação para todos e fica reposta a verdade. Obrigada Jorge.

quinta-feira, setembro 25, 2008

É este o país que temos!

Os amigos que passam por aqui regularmente sabem que não sou muito de me queixar, porque considero que se todos contribuirmos um pouco, o mundo ficará melhor. Mas ontem aconteceu-me algo que me escandalizou e que não posso deixar de divulgar! Ora aqui vai... As pessoas mais sensiveis, por favor não continuem a ler!! (O recado está dado).

Ontem ia a caminho do Porto, em trabalho, na A17 por volta de Leiria, com mais 3 colegas (2 Homens e 1 Mulher - gravida de 5 meses) quando o carro onde seguiamos avariou (basicamente morreu). Ok, até aí nada de novo até porque já esperavamos a sua morte há algum tempo. A minha colega que está habituada a estas coisas (porque a profissão exige que faça 60.000 kms por ano, e isto acontece), agarrou o tlm, e a apolice do seguro da ALLIANZ e lá foi tratar da assistência em viagem. Saberiamos que o carro voltaria para baixo de reboque, e que nós iriamos de taxi para o Porto. No entanto era necessario ter atenção ao taxi que nos enviavam porque, para além das malas, tinhamos imensas coisas para transportar, e eramos 4.

Passadas 1h30m depois chega o reboque para transportar o carro. O taxi? Não havia meio de chegar, e nós com varios contactos com a assistencia! Ao fim desse tempo, disseram-nos que o taxi iria chegar, mas que nos levaria para Leiria e nós iriamos à procura de uma Rent a Car para alugar um carro!! O quê???! Primeira indignação, por vários motivos: faltavam 20 minutos para as 19h, hora em que as Rent a Car fecham, e para além disso não iriamos pagar, nem tão pouco dar caução.

Disseram-nos para aguardar o proximo contacto deles. Como nem contacto, nem taxi chegaram, voltamos a telefonar (era aí a 5ª ou 6ª vez!) para saber se ainda demoravam muito. Foi quando fui eu a falar com o Senhor da ALLIANZ que me informou que o taxi nos levaria a uma estação de comboio e que iriamos seguir para o Porto de Comboio às 23horas! Foi quando me passei com ele. Como é que ele tinha coragem de nos enviar para o Porto às 23h de comboio? Qual foi a parte de sermos 4 e termos imensa bagagem para transportar que ele não percebeu? E às 23h? Eram 19h e pouco!! Foi quando referi que para além de tudo isso, tinhamos uma pessoa grávida entre nós e que não iria fazer essa viagem! A resposta que ouvi do outro lado foi brilhante: "foi a primeira vez que nos deram essa informação, não sabiamos que havia uma pessoa grávida. Um segundo..."

Passados 5 minutos a ouvir música do outro lado, enquanto a ALLIANZ telefonou ao senhor do reboque a perguntar se havia mesmo uma pessoa grávida e de quantos meses (??!!), lá apareceu o Senhor do outro lado a dizer "Obrigada por ter aguardado, já tenho uma resposta dos meus superiores, o taxi irá levar-vos ao Porto". Foi com grande indignação e revolta que ouvi esta resposta, e que passados menos de 10 minutos, apareceu um taxi enorme para nos transportar até ao Porto!

Foram assim passadas 2 horas à beira da auto-estrada, e que apenas o facto de existir uma pessoa grávida entre nós, as coisas se resolveram em 10 minutos. Fantastico Senhores da Allianz!

Agora eu penso: qualquer um de nós, simples mortais e "não grávidos", não temos o mesmo direito de assistencia que os especiais. Se não fosse a minha colega, ainda estaria a esta hora algures no meio do pinhal de Leiria?!

Para vós, amigos que ainda estão a ler e que não partiram já o computador só com a revolta por estas situações como esta que acontece no nosso país, aconselho a que verifiquem que companhia de seguro têm nos vossos automóveis. Se for a ALLIANZ pensem que qualquer um está sujeito a ficar algures pelos caminhos deste nosso Portugal.

Estou bem, sã e salva já em casa!

ps - Quero agradecer à Cristina que ainda nos ajudou neste nosso momento de aventura. Obrigada por tudo.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Promessas de Solidão...

Passei toda a minha vida ao ar livre, com o barulho dos pássaros como banda sonora e o sol como maestro dos meus dias. Eram dias de trabalho que se confundiam com diversão, ou diversão que era também trabalho. Cuidava das hortas, do jardim, dos animais, da casa. Foi assim a vida inteira, cresci e aprendi a desfrutar do que a vida tinha para me dar. Aceitei cada queda, cada dificuldade para me tornar mais forte, para crescer, e alegrei-me por cada bênção, por cada dia vivido.

Sempre confiei em Deus, e no homem que Ele colocou ao meu lado. Era um homem bom, um homem que me amava como sabia amar, que me protegia e que eu amava no mais fundo do meu íntimo. Foi mais que um homem para mim, foi um companheiro de caminhada, de luta, de vida. O tempo foi passando, ano após ano. Os filhos apareceram, foram crescendo, saíram de casa e foi aí que ficámos os dois, um sendo a companhia e o apoio do outro, como sempre fomos a vida inteira. Um dia, a doença chegou e levou-o para longe de mim. Veio a solidão...

Passaram alguns anos, anos bastante dolorosos e sofridos. Tive que aprender a viver, aprender a superar a dor e ausência. Mas como mulher forte que sempre fui, mulher que do campo que sabe que tem que arregaçar as mangas e trabalhar, lutar pelo seu sustento, não podia parar. Continuei a dedicar-me as hortas, ao jardim, aos animais, e dando agora alguma atenção também às colheitas que antes faziam parte das tarefas dele. Apesar de sentir o peço da idade sabia que tinha as minhas obrigações e assim, dia após dia, ano a pós ano, continuava a lavoura do dia-a-dia.

Numa manha bem chuvosa de Outono, depois da colheita das uvas, os meus três filhos, aqueles que mudei as fraldas, aqueles que mimei e sustentei, chegaram-se a mim, e acharam que tinha chegado a minha hora de descansar. Tentei resistir a ideia, pedi alguns dias para pensar, embora a minha ideia fosse firme. Mas dia após dia, depois de sugestões e promessas que ecoam ainda dentro de mim, baixei as armas e vim. Fizeram-me a mala e trouxeram-me pela mão para este lugar escolhido por eles, que apenas conheci no dia em que aqui cheguei...

Olho em meu redor e sinto um vazio. As promessas de outrora, as promessas de uma vida descansada e serena com bom ambiente e visitas frequentes, as promessas de uma vida em família, mesmo que não a minha, ficaram por cumprir... Agora tenho apenas estas paredes brancas e vazias de histórias, este espaço amplo mas sem cor que me gela o coração, e estas pessoas que me acompanham mas que nunca deixarão de ser estranhos em mim. Já perdi a esperança de dias melhores, daqueles dias que mesmo que o corpo cedesse, ainda sorria só por sentir aquele cheiro da minha terra, das minhas plantas e do ar fresco, e não o ar condicionado que por aqui se respira.

Entrego-me à tristeza que é mais profunda em mim que a dor, à solidão e as recordações de um passado feliz que são agora a minha única companhia. Sinto o coração a bater descompensado no meu peito, como que ameaçando de parar a qualquer instante, mas que não pára! Outra promessa por cumprir…Fecho os olhos nesta cadeira de baloiço e rezo, enquanto aguardo que essa promessa um dia se torne realidade.

CA