domingo, junho 21, 2009

É lá que...

Sou visível entre o invisível
Ouço o que não sei dizer
E digo o que não quero ouvir.
Lá aprendo a sentir
E vou sem partir:
Caminho pelo desconhecido
Do meu quintal
E choro as lágrimas secas
de outrora.
Desperto com a lua
E adormeço com a sombra que é tua.
Lá vejo o bem e o mal,
Provo o azedo do mel
E o doce do fel.
Limpo o que não tem limpeza,
E reconheço-me a beleza.
Lá não sou sem ser,
Sou rainha e escrava em mim
Cresço sem saber
E aprendo a me conhecer.

É lá que... simplesmente sou.

CA

terça-feira, junho 16, 2009

Naquela terra...

Hoje vou partir, descobrir um mundo novo... cansa-me esta vidinha de sempre, esta rotina, este rol de impossibilidades... hoje posso tudo e vou partir!

Comigo levo apenas o que preciso, visto a armadura reluzente, coloco a espada na cintura, escondo o cabelo para enganar os adversários, monto o meu cavalo e parto a galope. Pelo caminho agarro-te pela cintura, coloco-te na garupa e levo-te comigo... não tenhas medo, proteger-te-ei de todos os perigos, levo a coragem e a valentia das grandes guerreiras.

Será assim que partiremos... quando o sol se encontrar vermelho... E a porta estiver aberta para a terra da fantasia! Lutarei contra dragões em cavernas escuras, iluminadas apenas pelo calor do fogo e pelo faiscar dos meus olhos. Enfrentarei bruxas más, sem receio dos venenos e dos feitiços de morte que me lançarão. Consultarei feiticeiras, que me avisarão das bruxas e dos dragões... Dos perigos daquele mundo, dos adversários que se baterão comigo.

Das feiticeiras conseguirei poções... Mezinhas para todas as maleitas. Correremos grandes perigos, viveremos muitas aventuras e em todas elas, no derradeiro minuto, salvar-te-ei... Será esse o instante em que te carrego nos braços e beijo... E tu... Rendido deixaste levar na minha fantasia...

Nesses instantes de fim de história, o meu mais perigoso adversário, o medo, num último suspiro, desembainha a espada... Tentando trespassar-me, ataca-me pelas costas o cobarde... Mas eu resisto, num golpe de sorte e astúcia...

Naquela terra, somos invencíveis e imortais... Poderemos ser imprudentes... Arriscar... Naquela terra poderemos ser o que quisermos... Naquela terra, a da fantasia... A que existe para lá dos nossos sonhos, dos nossos devaneios... Por lá nada nos separa... Mas tudo isto é apenas por lá!...

Texto escrito por Marta Seguro aqui... porque existem palavras que nos cabem na totalidade...

domingo, junho 14, 2009

Violência Silenciosa...




O Ministério Público (MP) abriu no ano passado 115 inquéritos por violência contra idosos, a maioria com base em participações de juntas de freguesia e hospitais, disse ao Jornal Público o procurador-geral da República.

Pinto Monteiro referiu que os dados dizem apenas respeito aos serviços do MP em Lisboa, Évora e Coimbra, até agora os únicos com estatísticas disponíveis sobre o fenómeno em 2008.

Freguesias e hospitais foram as entidades que mais responderam ao apelo feito no ano passado pelo PGR, que pediu que fossem reportadas ao Ministério Público as situações de maus tratos praticadas contra idosos, na sequência das directivas emitidas por Pinto Monteiro para que este tipo de violência merecesse prioridade no âmbito da investigação criminal, juntamente com os crimes contra crianças e deficientes, tendo em conta a sua especial vulnerabilidade.

Em declarações ao Público, Pinto Monteiro nota que, neste âmbito, se "partiu do zero" e se deram "primeiros importantes passos" para uma "protecção específica", o que constitui para si "motivo de grande orgulho".

A crescente visibilidade em torno deste problema explica, de facto, o aumento dos números. A informação estatística da PSP indica que os registos de violência contra pessoas com mais de 64 anos triplicaram entre 2002 e 2007, de mais de oito mil casos para quase 25 mil. No ano passado, cerca de 650 idosos queixaram-se à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). E, até Outubro, a Segurança Social tinha fechado 75 lares de terceira idade, muitos deles por denúncias de maus tratos.

"Vítimas silenciosas"

No primeiro trimestre deste ano, só em Lisboa, foram registados 18 processos de violência contra idosos pelo MP, que justifica o facto de não dispor ainda de números nacionais sobre o fenómeno com as limitações do seu sistema informático e a autonomização recente destas situações relativamente a outras formas de violência.

A importância do contributo das juntas de freguesia, dos hospitais e dos vizinhos na denúncia destas situações é sublinhada por Pinto Monteiro, que alerta para o facto de a grande maioria dos idosos vítimas de violência não se queixar "por medo" e "por vergonha". São "vítimas silenciosas" e os casos são relatados por outras pessoas que tomam conhecimento das situações, diz o PGR.

Dados da APAV relativos a 2008 referem o aumento de queixas por maus tratos psíquicos. Totalizaram 340, mais 137 do que no ano anterior. Entre os motivos das participações, para além das agressões corporais, contam-se ameaças e coacção, difamação e injúria, tentativa de extorsão de dinheiro e negligência por abandono ou por doses de medicamentos erradas, com o intuito de "acalmar" o idoso.

Segundo os mesmos dados, existe um peso importante de queixas de idosos que dizem ser humilhados e insultados por familiares. O relatório da APAV indica que a grande maioria das vítimas com mais de 65 anos são mulheres e que a violência é exercida no meio familiar pelos cônjuges e filhos.

A visibilidade deste fenómeno levou também a Segurança Social a encerrar, em 2007 e 2008, mais de 180 lares da terceira idade, prosseguindo a investigação de vários outros casos. Entre os motivos que levaram ao encerramento incluem-se a falta de condições físicas, a inexistência de licenças para o exercício da actividade e os maus tratos.

Entre os lares fechados em consequência de casos de violência contra idosos, encontram-se os de Nossa Senhora do Auxílio, na Maia, por participações de insultos e agressões, e o Lar D. Pedro V, na Praia da Vitória, Açores.

(notícia retirada na íntegra daqui)

domingo, junho 07, 2009

Reanimar o Saber...

Venho "por este meio interceder pelos livros debilitados que tem em casa, cansados de servir de alimento ao pó e escuridão das prateleiras e gavetões inacessiveis. Esses livros estão ansiosos por vestir a pele da utilidade e voltar a encarnar a matéria-prima que ser ve de base ao conhecimento.

Do outro lado do Globo há batalhões de crianças, jovens e adultos que procuram insistentemente debaixo das camas e nas arrecadações inexistentes, armas em forma de páginas encadernadas, que consigam apaziguar-lhes a curiosidade das coisas e do mundo.

Assim a Helpo decidiu eliminar a tristeza profunda de ambas, proporcionando-lhes com a sua ajuda, um encontro inesquecivel. Esta ideia concretiza-se então nesta campanha de recolha de livros intitulada "Reanimar o saber" e que visa equipar as bibliotecas reabilitadas ou construidas pela Helpo, nas provincias de Nampula e Cabo Delgado, entre Março de 2009 e Março de 2010 (ver protfólio de projectos a realizar aqui) . As suas prateleiras estarão especialmente ávidas de:

Dicionários
Enciclopédias
Atlas
Mapas
Romances
Livros Infantis
Livros juvenis
Livros de física
Livros de filosofia
Livros de psicologia
História Universal
Direito Internacional
Livros de Linguas

As prateleiras, os leitores e os nossos livros agradecem!

Os livros podem ser enviados ou entregues até ao final do mês de Outubro de 2009, entre as 9h e as 13h ou entre as 14h e as 18h, de segunda a sexta na Rua Manuel Joaquim Gama Machado, nº 4, 2750-422 Cascais.

Para esclarecimentos contactar 21 484 40 75 ou escrever para info@helpo.pt."


Como sabem, sou madrinha da Aninha, uma menina que apadrinhei através da Helpo, uma ONGD Portuguesa, com projectos concretos e sensíveis à realidade existente nos paises que apoia. E é também por isso que não poderia deixar de divulgar também esta iniciativa...

Quantos livros tem em casa que nunca leu ou que nunca releu? Que importancia têm esses livros para ti? Terão significado na tua vida? Pois é... Mas na vida de muitos poderão ter imensa! Colabora. Se quiserem mais informações sobre a Helpo e a sua seriedade contactem-me: catiaazenha@gmail.com.

Os meninos, Jovens e Adultos de Nampula e Cabo Delgado contam connosco!

sexta-feira, junho 05, 2009

Música para o fim-de-semana...

O fim-de-semana está à porta, a chuva voltou... Hoje estou parca nas palavras, e por isso deixo-vos três músicas, três autores de banda sonora para os próximos dias...

segunda-feira, junho 01, 2009

Para uma amiga...

Hoje teria muito para dizer ou contar sobre o fim-de-semana, mas hoje quero deixar um mimo a uma amiga, uma amiga de quem eu gosto e tenho imenso carinho. E hoje quero deixa-lo aqui frizado, na forma desta música que sei que gostas...


You strong enough to be..
Have you the courage to be..
Have you the faith to be..
Honest enough to say..
Dont have to be the same..
Dont have to be this way
Cmon and sign your name
You wild enough to remain beautiful?
Beautiful

Nem sempre é facil ver o que de bonito há em nós, na nossa vida, ou no que nos rodeia... Porque vê-lo apenas quando algo acontece?! Há que tentar reconhecê-lo sempre, lutar para isso... Espero sinceramente espero que possas reconheço-lo na tua vida... E que possas ver a pessoa linda que és.

sexta-feira, maio 29, 2009

Contraceptivos nas escolas... sim ou não?

Muito se fala na distribuição dos contraceptivos nas escolas. Na quarta-feira, o PS aprovou uma proposta para que o acesso aos meios contraceptivos pelos alunos nas escolas dependa da avaliação dos gabinetes de apoio e informação a funcionar nos estabelecimentos de ensino. A proposta que foi aprovada apenas com os votos dos socialistas, levantando criticas dos restantes partidos. Com um texto ambiguo,e sem nada de novo, é assim aprovada (outra) proposta apenas valendo-se da sua maioria.

Este é um assunto que tem levantado discussão na opinião pública e no próprio parlamento, mas esta era uma decisão a ser tomada. Ora bem, em ano de eleições, nada melhor que tapar o sol com a peneira, e lançar uma proposta que não é carne nem peixe e passar a responsabilidade para os outros: as escolas! Assim, os pais (que muitos são contra a distribuição - e votam!), a igreja e outras associações não podem ficar descontentes por não haver uma proibição - (responsabilidade da escola!), assim como os pró-distribuição também não podem dizer que o Governo nada fez (se a escola quiser pode faze-lo!).

Só espero que os gabinetes nas escolas, tendo em consideração a experiência que têm com os alunos, possam ter mais coragem que o Sr. Primeiro Ministro, e assumir uma posição, não deixando este assunto a marinar...

Ler mais aqui

segunda-feira, maio 25, 2009

O gato... Tomé

Há uma semana chegou a minha casa, em jeito de surpresa (porque contei que a Michele estaria para chegar), e desde aí... Os meus dias não têm sido o mesmo. Tem cerca de dois meses e durante uma semana não teve nome: era o Gato. Mas como não podia continuar a ser apenas o Gato ou o Bichano, eis que surge o Tomé!


Na verdade parece que foi escolhido a dedo: no alto dos seus 2 meses é mais traquinas que traquinas. Tudo lhe serve para brincar: tanto nós como uma bola, um pano e até uma pedra... Adora atirar-se à gaiola dos passaros, e adora passear-se à frente das duas cadelas matulonas, numa zona onde sabe que não vai ser atacado. Mas apesar de ser traquinas não deixa de ser muito mimalha: quer colo e muito carinho... e eu adoro-o!


Quem disser que eu sou uma mãe babada... tem razão. Quanto à Michele... Está o casamento prometido :D

quinta-feira, maio 21, 2009

No monte...

A noite não me deixava dormir. Decidi levantar-me, vesti qualquer coisa e saí pela varanda... Olhei todo aquele espaço silencioso em frente... Não consegui segurar o olhar, e os meus pés acompanharam-no. Desci os dois degraus e senti, nos pés descalços a terra fresca que não me fez parar. Passei pelo jardim e continuei para além das fronteiras do pensamento... A Lua, cheia e brilhante, era minha companheira de viagem numa terra de sonhos, de tranquilidade...

Subi o pequeno monte que apenas conhecia das fantasias. Cheguei e apoderei-me daquele espaço... Deitei-me naquela terra fofa e olhava a lua, para as estrelas que me enfeitiçavam com o seu brilhar...Olhei para todas elas, apresentei-me em pensamento e tentei descobrir cada uma sobre a minha cabeça, sobre os meus pensamentos... Cada uma seria especial, teria o seu nome, a sua história, os seus amores e desamores... E o seu cheiro? E o seu toque? Apetecia-me sentir cada uma, sentir os sonhos que cada uma terá...

Respiro fundo numa tentativa de as sentir... O cheiro da terra húmida de Outono, e a música do vento a embater nas ervas e a levantar as folhas caídas, aconchegam-me... Não sei se adormeço ou se apenas fico num estado semi-adormecido, mas fico ali embalada por aquele cenário de qualquer pintura impressionista...

Acordo daquele estado com o sol a querer tocar-me a face... Respiro fundo e tento aproveitar aqueles últimos segundos cheia de paz e tranquilidade. A realidade puxa-me de repente e ouço um choro ao fundo... As crianças já acordaram... É tempo de ir.

terça-feira, maio 19, 2009

Simpsons... news!

Quantos de nós não crescemos a ver os Simpsons? Acho que faz parte de todos nós... É uma série que marcou e marca gerações...

E... Ao fim de 20 anos, a filha mais nova de Marge e Homer Simpsons falou. Perante a acusação de que fazia construções de legos grandes demais, a bebé de um ano sentiu a necessidade de se defender. A auto-defesa faz parte do episódio "Quatro Grandes Mulheres e Uma Manicure". A acusada falou e logo com a voz de Jodie Foster...

Esta é a segunda vez que a bebé fala. A primeira palavra que disse foi "Daddy" em que Elizabeth Taylor teve a honra de lhe dar voz.

sexta-feira, maio 15, 2009

Projecto Geração+

Hoje venho escrever sobre um projecto que tive conhecimento há cerca de um ano e meio e que, de uma forma curiosa, tive algum contacto com elementos pertencentes a ele (mas isso é outra história)...

A Geração+ é um projecto apoiado pelo IDT, para intervenção focalizada e de proximidade, em contextos recreativos, nos bares e discotecas nocturnos de Castelo Branco, com o objectivo de promover hábitos saudáveis de diversão. Desenvolve intervenções preventivas, com indivíduos com padrões de consumo em contextos recreativos, para que reduzam o uso indevido, o abuso e problemas associados ao consumo de substâncias. Conta com uma equipa técnica especializada e composta por psicólogos e um enfermeiro. O projecto teve início em Setembro de 2007 e tem a duração de 24 meses.


"Neste primeiro ano de intervenção, estabelecemos diálogos com os frequentadores, disponibilizando os serviços, deslocámo-nos pelos bares e discotecas, participámos em festivais (por exemplo o Festival da Serra da Estrela e o Boom Festival), festas académicas, escolares e locais, realizámos Tertúlias em Bares, sobre comportamentos de risco (sexualidade, consumo de substâncias na noite); desenvolvemos acções de sensibilização nas escolas; realizámos consultas de aconselhamento/apoio psicológico, consultas para os resultados do VIH; reuniões com associações de estudantes e federação associativa. Realizámos um estudo sobre consumo de substâncias; desenvolvemos e distribuímos os flyers informativos sobre onze substâncias; desenvolvemos e distribuímos um documento informativo sobre abuso de substâncias para os responsáveis e trabalhadores dos estabelecimentos; construímos um Blog e um endereço Hi5 (onde disponibilizamos informação que nos permite contactar com os frequentadores que conhecemos na noite); caracterizámos a população-alvo e os níveis de alcoolemia detectados; demos resposta às várias solicitações, de entrevistas (para trabalhos escolares de grupo), pedidos de intervenção em festas (pelos alunos do Instituto Politécnico e Escolas Secundárias).

Ao longo deste ano de trabalho concluímos que é possível estabelecer fortes relações de confiança com os frequentadores de espaços recreativos. Percebemos quais os conhecimentos destes indivíduos sobre substâncias psicoactivas, comportamentos de risco, doenças sexualmente transmissíveis e VIH, e informámo-los. Através das relações estabelecidas na noite, surgiram os contactos diurnos para, apoio psicológico, pedidos de informação/ aconselhamento sobre VIH e consumo de substâncias, pedidos de colaboração em trabalhos escolares, pedidos de intervenção em festas organizadas pelas Associações de Estudantes do Instituto Politécnico e Escolas Secundárias, pedidos de intervenção com jovens em risco (Lar de jovens) e alunos PIEF, intervenção no Boom Festival.

Avaliámos a nossa intervenção (Inquérito de Satisfação) e concluímos que os resultados são de todo positivos.” Conclui Rute Felgueiras, psicóloga e coordenadora do Projecto. (texto retirado daqui, pág. 43)


Este é um projecto que tenta chamar à atenção e à razão muito jovens que saem à noite e que não pensam nas consequências de beber um copo a mais ou... quem sabe mais o quê. Saliento a importância deste e de outros projectos mas ficam-me algumas dúvidas: Será que vai terminar daqui a alguns meses? Será que o dinheiro necessário para o seu desenvolvimento vai ter que ser necessário para financiar as eleições que aí vêm? Para quando mais projectos destes por todo o país?

Foi no blog da Geração + que encontrei este spot, feito por Marta Pires, que deixo e que me deixou a pensar e que me levou a fazer este post... Que a Geração+ e outros projectos similares possam ter tanto sucesso que o spot deixe de fazer sentido...


Atenção porque não acontece só aos outros!

quinta-feira, maio 14, 2009

Passo...

São quase duas da manhã e acabei de chegar a casa... Amanhã é dia de levantar ainda mais cedo do que o costume, mas não podia deixar de vir aqui nesta hora... Mas... Como não sei quem me lê nas sombras digo apenas que:

Um minusculo passo para a Humanidade, um enorme passo para mim... Está dado. Agora é começar a construir! :D

terça-feira, maio 12, 2009

Carta aberta...

Amiga,

Hoje escrevo-te em forma de carta. A carta que nunca te escrevi e que acredito que não te escreverei sem ser aqui.

Faz mais de dois anos que nos conhecemos por aqui, por estas ruas e vielas do mundo, mas que me fizeram bater à tua porta. Começámos a falar, a viajar por mundos de fantasia mas em mim / em nós nascia já uma amizade. Rapidamente adoptaste-me da familia, mas sabes...? Naquela altura não fazia a mais pequena ideia do que isso significava para ti... Vim a sabê-lo mais tarde, muito mais tarde... E hoje, orgulho-me disso! Sim, acredita que é orgulho mesmo.

Muita coisa se passou desde então: conhecemo-nos pessoalmente, já dancámos, bebemos, rimos, e chorámos muito juntas. Já tivemos momentos muito sérios e até de desespero, já tivemos momentos de partilha muito profunda... Continuei a viajar contigo no mundo da fantasia e a lutar contra dragões (drrragões, como alguém diria), mas principalmente neste momento sinto que viajo contigo pela vida...

Muita coisa passou... Eu não estou igual, e deixa-me dizer-te que tu também não... Estás diferente e para muito melhor, acredita. Continuas a dizer-te egoista... Se o és? Não sei, acho que todos o somos, cada um à sua maneira. Vi-te a adoptar o teu José, vi-te por diversas vezes a ter verdadeiras atitudes de preocupação e partilha... Se te vejo como egoista, daqueles que não se preocupam com os outros? Sinceramente não!

No outro dia, num momento em que precisava de um abrigo, procurei-te... E nessa sequência de acontecimentos perguntaste-me porque é que te procuro. De alguma forma percebeste que era porque não me farias perguntas... Se isso significaria que não te preocuparias, não ligarias ao que estava a passar ou sentir... Não consegui responder-te na altura, as palavras atropelaram-me o pensamento e ficaram para trás....

A verdade é que quando penso em ti penso de forma diferente do que poderia pensar de outras pessoas. Não espero, por exemplo, que me ligues a meio da semana simplesmente para saber se estou bem. As notícias correm rápido, e se não estivesse saberias... Não espero que tenhas sempre um atitude compreensiva sobre tudo o que te digo... Aliás, bem cedo mostraste-me que não eras assim, se concordares tudo bem, se achas um verdadeiro disparate: dizes e sem mais nem quês nem porquês...! Se isso é mau? Não, não é... Isso é sinceridade. Conheço-te assim, gosto de ti assim. Mas acima de tudo penso em ti como aquela minha prima que não me deixa ir para o baloiço, mas que quando eu penso que estás distraida, vou a correr abusar do teu espaço... E tu, que finges que não vês ficas deliciada por ver a minha alegria... Tu és a prima que ignora o meu sofrimento quando entro na cozinha enquanto preparas o jantar, e enquanto tento esconder as pinguinhas que me caem... Mas no momento certo sentas-te à mesa, trazes o copo de leite e o bolo e partilha-lo comigo enquanto ouves o meu desabafo. És a prima que aproveitas eu já estar a dormir para me ajeitares os cobertores e deixares lá o leite e o bolo... Tudo para poder descansar, e se acordar a meio da noite, tenho lá um mimo.
Quando eu olho para ti, vejo um desafio! Tudo na nossa amizade é um desafio e uma vitória... Um desafio fazer-te desabafar, um desafio saber mais de ti, um desafio ir pisando o risco, aquele que delimitas à tua volta... E é uma vitória atravessa-lo, aproximá-lo cada vez mais de ti... É uma vitória tornar-me da familia, tornar-me lá de casa, é uma vitória fazer-te falar de sentimentos... Dar-te um abraço é uma vitória...

Porque é que te procuro? Porque te preocupas comigo, porque me respeitas, porque me ouves e dás-me uma opinião sincera... Um opinião que respeito imenso. Para além disso sei que se entrar em tua casa com as lágrimas nos olhos e te disser que não quero falar, tu irás arranjar uma forma de me pôr a dizer disparates e a rir... Fazes-me falar de outras coisas ou até mesmo do tempo, tudo para eu não pensar... E no fim, quando estiver mais calma, saberás ouvir-me sobre tudo aquilo que me atormenta.

Sei que muita gente passa pela nossa vida e que quase todos ficam mais ou menos tempo... Todos passam, e alguns deixam as suas marcas mais ou menos profundas em nós. E é por isso que hoje, aqui, quero dizer-te que se eu tivesse que escolher alguém para ser da minha familia, se tivesse que escolher uma prima, uma madrinha, alguém para me acompanhar e/ou aconselhar... Não teria dúvidas em escolher-te a ti... tu que tens sido tudo isso, em tantas alturas, e por vezes até mais.

Deixo-te uma música, que sei que gostas, cantada por uma grande Senhora. Este é um poema que acho que te define todo ele... Com dor calada lá no fundo, mas com o passo da coragem em casa escura e, aberta, uma varanda para o mundo... O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste.

Sei que hoje escrevi demais, mas não irei cortar... Não sei se ficou piegas demais, não sei se confuso, nem tão pouco sei o que acharás... Mas fui escrevendo, e cheguei aqui ao som desta música... Hoje, no dia em que fazes 12012 dias, quero deixar-te os meus Parabéns!

segunda-feira, maio 11, 2009

Números...

Faltam 7200 segundos para fazer 525600 minutos desde que fizemos uma viagem juntas... Lembras? Mas hoje venho escrever-te sobre números. E os números hoje são estes: 1716; 12012; 288288; 17297280; 1037836800. Que te parecem? Nada? Como não?!! Não és tu uma mulher de números? 1716 semanas; 12012 dias; 288288 horas; 17297280 minutos e 1037836800 segundos... Isto mais coisa menos coisa...

domingo, maio 03, 2009

Pintor de sonhos... Um ano depois

Está a fazer um ano. Um ano de uma semana inesquecivel, e não pelos melhores motivos. Um amigo que morreu, e era preciso dizer a uma amiga que a pessoa que amava tinha falecido. Como se dá uma notícia dessas? Nunca ninguém está ou estará preparado, mas é nos momentos dificéis que mostramos quão forte somos, não é verdade? Depois uma procura infrutifera por notícias, um mover montanhas e no fim não se encontrar nada. Era preciso esperar e foi o que fizemos... Passaram-se 5 dias e quando aguardavamos pela ultima despedida... Ele acordou. Foram mal entendidos, foi uma confusão... Não sei, nunca percebi até hoje. Mas ele estava ali, à distância de um telefonema.

Eramos 4 jovens que, juntas, passámos por momentos impensáveis. Olho para trás e vejo aqueles dias como um filme de ficção, uma outra realidade misturada com a vida real.

Nunca mais falámos sobre o que se passou. Se calhar cada uma digeriu à sua maneira... Não sei. Digeriram?

Pergunto-me se ele saberá a quantidade de telefonemas que fizemos, dos sitios que corremos à procura de alguém conhecido, de um familiar, de um amigo e o resultado era sempre o mesmo: nada! Pergunto-me se ele saberá das lágrimas que nos limparam a face e que nos apertaram o coração...

Não me arrependo de nada do que fiz. Mostrei que sou uma amiga para todos os momentos, delas e dele. Mas no final não sobrou quase nada... Ele faz a sua vida como se nada tivesse acontecido. E nós... Acho que tentámos fazer o mesmo mas... Ficaram perguntas por fazer, respostas e explicações por dar, sentimentos por explicar e digerir... Fizemos luto por alguém que não morreu, e quando nos apercebemos, seguimos a vida normal... Mas é assim tão facil? Devia ter sido assim? Peço desculpa mas eu acho que não.

Pergunto: alguém me consegue explicar o que aconteceu naqueles dias?




Este é um post dedicado a 3 mulheres que admiro, amigas que respeito. Amigas que choraram pinguinhas comigo, companheiras desses dias que tenho para mim que estão dentro dos mais dificeis destes meus 26anos. Quanto a ti, protagonista desta história, gostava apenas que tivesses a noção do que passámos por ti, e por uma amizade que não valorizas.

sexta-feira, maio 01, 2009

Viver no vazio...

Gertrudes deambulava pela vida como fantasmas em filmes de terror. Saía de casa todos os dias quando o sol ainda não tinha acordado, e só voltava a entrar quando este já estava normalmente a dormir.

Do mundo conhecia apenas a cidade onde nascera ha 50 anos e a qual abandonara faz tempo. Agora, conhecia o mundo só de passagem... De ver as pessoas a passarem à janela do seu trabalho. Via as pessoas passarem apressadas na rua, via os carros a deslizarem lá fora, via os aviões a sobrevoarem a cidade...

À noite passava pelo supermercado, a uma hora em que apenas se ouva o som adormecido das caixas registedoras, para comprar qualquer coisa para comer...

Gertrudes morou cerca de 10 anos na mesma casa e nunca vira os vizinhos, nem tão pouco soube algo deles... Num mundo em que "salve-se quem puder" é o lema de vida, não há tempo para essas coisas...

Gertrudes morreu ontem naquela casa e ninguém chorou a sua morte, ninguém sentiu a sua falta, para além daquela velhota do supermecado que estranhou a sua falta mas que, dois dias depois, já nem se lembrava mais.

domingo, abril 26, 2009

Pó e teias-de-aranha...

Quanto eu iniciei o Blog Eu e Outro Eu no início de Janeiro, ponderei colocar o Ticho em pausa... Não o fiz. Mas a verdade é que ele anda em estado semi-adormecido. Não tenho tido muito tempo para escrever, nem tão pouco muita disposição, mas a verdade é que, quando me sobram alguns minutinhos e uma restea de coragem para me sentar ao computador, é lá que vou escrever. Neste momento travo uma luta comigo mesmo, quero crescer e afirmar-me interiormente e é lá que vou relatando algumas batalhas, alguns pensamentos ou sentimentos.

Não vou parar o Ticho, este blog que me acompanha há 2 anos e meio. Mas aos que por aqui passam peço compreensão pelo pó e as teias-de-aranha que vão aparecendo por aqui nos cantos... Em todo o caso, estão sempre convidados a passar por lá... Eu, vou andando por aqui e por lá... talvez um pouco mais por lá... Mas não deixarei que me morram as plantas... virei regá-las.

Boa semana para todos!

terça-feira, abril 21, 2009

Nightminds

Descobri esta sonoridade há pouco tempo e hoje, assim só porque me apetece, deixo-vos esta música... Aproveitem para ouvir e descontrair.


sexta-feira, abril 17, 2009

Saudades de Escrever

Tenho saudades de escrever. Não falo em colocar posts aqui ou noutro aqui, falo em escrever. Já me disseram que eu tenho necessidade em escrever e, se calhar, tenho mesmo. Muitas são as vezes que a imaginação voa, e passa-me um filme à frente dos olhos... Vejo as personagens, vejo os sitios, sentindo-me espectadora daquelas estórias... Espectadora e até personagem, porque não dizê-lo? Os filmes por vezes passam-me tão depressa à frente dos olhos que nem sempre consigo passá-los para o papel, é certo. Gosto da sensação de esquizofrenia, gosto de viver com as personagens, viver momentos e sensações com elas...

Onde andam os filmes e as minhas personagens? Será que foram de férias? Será que partiram de vez? Será que apenas dormem nos recondidos da minha memória? Os filmes não passam, nem tenho as visitas das minhas personagens... As palavras não se colocam umas seguidas às outras, não saem, não ficam... Faltam. Tenho saudades de escrever...


Este post está muito esquizofrénico? A mim também me parece...