sexta-feira, outubro 19, 2007

Ir mais além...

(Foto de Teresa Calcao)

“Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros de altura, baixou as suas patas com membranas, ergueu o bico e tentou a todo o custo, com a força das asas aguentar uma contorção difícil e dolorosa. Isso queria dizer que deveria voar devagar, e então abrandou até sentir o vento passar pelo seu corpo como um sussurro, até sentir o oceano por debaixo de si. Franziu os olhos, em intensa concentração, susteve a respiração, e forçou um… só mais… um... centímetros… de… curva. Então as penas ruflaram, ele desequilibrou-se e caiu.

Como sabem, as gaivotas nunca hesitam, nunca se desequilibram. Desequilibrar-se no ar é para elas uma desgraça, e uma desonra. Mas Fernão Capelo Gaivota não era um pássaro vulgar. Sem se atrapalhar, abriu de novo as asas naquela difícil curva, abrandou e desequilibrou-se de novo. A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais que os rudimentos de voo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota, no entanto, o importante não era comer, mas voar. Mais que tudo, Fernão Capelo Gaivota, adorava voar. (...)

Passados três meses, Fernão já tinha seis estudantes, todos banidos, mas, no entanto, curiosos em relação àquela nova ideia de voar pelo prazer de voar. Contudo, era-lhes mais fácil executar difíceis posições do que compreender a razão que havia por detrás.

- Cada um de nós é na realidade uma ideia da Grande Gaivota, uma ideia ilimitada da liberdade – costumava dizer-lhes Fernão, à noite, na praia – E o voo de precisão é um passo em direcção à nossa verdadeira natureza. Daí a razão de todo este treino da alta velocidade, baixa velocidade e acrobacias aéreas…

E os seus alunos adormeciam exaustos. Gostavam dos treinos porque eram rápidos e excitantes e porque lhes saciavam a fome de aprender que aumentava em cada lição. Mas nenhum deles conseguia acreditar que o voo de ideias pudesse ser tão real como o voo de vento e penas.

- Todo o vosso corpo, desde a ponta de uma asa, até a ponta de outra asa – costumava dizer Fernão - não é mais do que o vosso próprio pensamento, numa forma que podem ver. Quebrem as correntes do pensamento e conseguirão quebrar as correntes do corpo… Mas, por muito que falasse, soava como uma agradável ficção e eles precisavam dormir."

(In Fernão Capelo Gaivota – Richard Bach )

segunda-feira, outubro 15, 2007

Quem toca piano?


Certo dia caminhava pela praia... Aquele dia parecia-me diferente de todos os outros, apesar de, à primeira vista, ser igual a todos os dias anteriores. Caminhava tranquilamente à borda de água quando o meu olhar desviou-se da areia. Os meus olhos não queriam acreditar no que viam. Aproximei-me devagar mas quanto mais me aproximava, maior era o meu espanto. Sim, era... era um piano!!

Precipitei-me para ele. Ainda não queria acreditar no que os meus olhos me mostravam. A magia daquele sitio, daquele momento, puxou-me para as teclas. Toco uma e outra vez. Aquele som interrompe toda aquela tranquilidade que reinava à minha volta. O som pareceu-me desafinado e não encaixava no ambiente. Mas a magia do momento não permitia que me afastasse. Limpei as teclas, apertei as cordas... e construi um pequeno banco na areia. Sento-me e olho para aquele piano...

Sei que não está afinado, sei que os sons não sairão alinhados com a orquestra à minha volta, mas mesmo assim anseio pelo momento em que voltarei a interromper a serenidade. Quero ser maestro daquele piano, aquele que já considero meu...

Respiro fundo, fecho o olhos, coloco as mãos sobre as teclas e começo a tocar... tropeço no bater das ondas, no som das gaivotas e dos barcos lá ao longe, mas não paro... Aquele é o meu momento... o meu momento com o meu piano, e aquela a melodia que nos sai do coração!

quarta-feira, outubro 10, 2007

Entre o hoje e o amanhã...

Existe uma grande diferença entre o hoje e o amanhã. Hoje sei onde estou, como estou e o que sonho. Amanhã não sei se estarei aqui, não sei como estarei, não sei o que sentirei e por quem. Hoje sei o que penso, amanhã espero pensar igual... ou diferente, se significar crescimento. Hoje sonho, sonho por momentos melhores, sonho por um futuro... Amanhã não sei se continuarei assim, não sei se me desiludirei e deixarei de sonhar, ou se os sonhos estarão já realizados...

Hoje caminho pela estrada da vida. Muitos que hoje me acompanham, amanhã já não me acompanharão... Sei que, o que me hoje tomo por certo e concreto, amanhã dissipar-se-á... Mas hoje quero iludir-me e pensar que as amizades são para sempre, acreditar que as coisas não mudam e que terei sempre aquele conforto. Amanhã olharei para trás e verei que não é bem assim, entre aquela curva, aquele cruzamento, algumas pessoas foram ficando para trás ou tomando outras opções...

Sei que existem vários tipos de amizades, aquelas que estão comigo por "uma razão", por um motivo que se calhar nem entendo qual... Talvez para me ajudar numa necessidade ou para eu os ajudar, não sei... Mas que após terminado, afastar-se-ão naturalmente... Sei que existem amigos que estarão comigo por "um tempo", e que serão os meus melhores amigos durante este periodo. Contarei com eles e eles comigo... Poderei pensar que serão para sempre, mas com o caminhar haverão opções, motivos (ou talvez não existam) que nos afastarão... Ficará o carinho, a lembrança, mas a necessidade da presença vai ficando cada vez mais ténue... até que amanhã não sentiremos já a falta... lembraremos apenas com carinho quando alguma situação faça saltar à memoria aquela pessoa, ou um momento partilhado...

Mas hoje penso que existem também amizades "para sempre". Que mesmo por entre as curvas e cruzamentos, que nas subidas e nas descidas, alguns conseguirão seguir o meu passo e continuarão a caminhar comigo... Hoje quero crer que alguns dos que me acompanham, acompanharão no futuro também... Hoje penso assim... Mas como disse, existe uma grande diferença entre o hoje e o amanhã... Hoje penso assim... amanhã gostaria de pensar igual.

sábado, outubro 06, 2007

Uma carta...

(foto de Teresa Calcao)

"Sinto a tua falta, meu amor, como sempre, mas hoje é particularmente difícil porque o oceano tem estado a cantar para mim, e a canção é a da nossa vida juntos. Quase consigo sentir-te ao meu lado enquanto escrevo esta carta, e consigo cheirar o aroma de flores silvestres que me faz sempre lembrar de ti. Mas neste momento, essas coisas não me dão qualquer prazer (...)
À noite quando estou sozinho, chamo por ti, e sempre que a minha dor parece ser maior, encontras constantemente maneira de voltar para mim. Ontem à noite, nos meus sonhos, vi-te no pontão (...). O vento soprava através do teu cabelo e os teus olhos retinham a luz pálida do Sol que se desvanecia. Fico espantado quando te vejo encostada ao parapeito. Tu és bela, penso, enquanto te vejo, uma visão que nunca consigo encontrar em mais ninguém. Começo a andar lentamente na tua direcção e quando, finalmente, te voltas para mim, reparo que os outros têm estado a observar-te também. "Conhece-la?" perguntavam-me em sussurros invejosos, e enquanto sorris para mim, respondo simplesmente com a verdade. "Melhor do que o meu próprio coração."
Paro quando chego perto de ti e envolvo-te nos meus braços. Anseio por esse momento mais do que qualquer outro. É a razão da minha vida, e quando tu retribuis o meu abraço, eu entrego-me a esse momento em paz mais uma vez.
Levanto a mão e toco suavemente na tua face e tu inclinas a cabeça e fechas os olhos. (...) Interrogo-me durante um momento se vais afastar-te, mas claro que não o fazes. Nunca o fizeste, e é em alturas como esta que eu sei qual é o meu objectivo na vida.
Estou aqui para te amar, para te segurar nos meus braços, para te proteger. Estou aqui para aprender contigo e para receber o teu amor em troca. Estou aqui porque não existe outro sítio onde possa estar.
Mas depois, como sempre, a neblina começa a formar-se enquanto permanecemos juntos um do outro. É um nevoeiro distante que nasce do horizonte, e descubro que começo a ficar com medo à medida que ele se aproxima. Ele insinua-se lentamente, envolvendo o mundo à nossa volta, cercando-nos como que para evitar que fujamos. Como uma nuvem rolante, cobre tudo, fechando, até mais nada restar senão nós os dois.
Sinto a minha garganta a começar a fechar e os meus olhos a encherem-se de lágrimas porque sei que são horas de partires. O olhar que me lanças naquele momento persegue-me. Sinto a tua tristeza e a minha própria solidão, e a dor no meu coração, que permanecera silenciosa só por um pequeno intervalo de tempo, torna-se mais forte quando tu me soltas. E quando estendes os braços e dás uns passos para trás, desaparecendo no nevoeiro porque ele é o teu lugar e não o meu. Anseio por ir contigo, mas a tua única resposta é abanares a cabeça porque ambos sabemos que é impossível.
E eu assisto com o coração a partir-se enquanto desapareces lentamente. Dou comigo a esforçar-me por lembrar tudo acerca daquele momento, tudo acerca de ti. Mas depressa, sempre demasiado depressa, a tua imagem desaparece e o nevoeiro recua para o seu lugar longínquo e eu fico sozinho no pontão e não me importo com o que os outros pensam quando baixo a cabeça e choro e choro e choro."


(As Palavras que nunca te direi)

sexta-feira, setembro 28, 2007

Procura-se um amigo...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes

segunda-feira, setembro 24, 2007

Aninha...


Cheguei a casa depois de uns dias fora. Estava cansada e com um pouco de sono... Quando entrei veio ao pensamento uma carta.. "será que chegou?" Mas depois de entrar em casa vi que não havia nada de novo... Mas quando cheguei ao quarto os olhos viraram-se logo para a cama, havia algo de diferente. Olhei e sorri... Um envelope, tamanho A4 aguardava-me. Olhei para remetente apenas para confirmar, apesar de ter a certeza... Deixo-o ali durante mais alguns minutos. Após aquelas conversas tipicas de quem chega de viagem: "Como correu?", "Que fizeste?", "Como foi?", etc., voltei ao quarto com a certeza que agora seria o momento. Fechei a porta, sentei-me na cama e comecei a minha viagem. Sabia qual o conteudo... Abri o envelope e vi uma revista e outro envelope. Abri e vi folhas e outro envelope. Começou a minha procura incessante... "Quem será? Como será?". A procura era frenética, mas não encontrava nada para além de folhas e mais folhas... A desilusão já estava a apoderar-se dos meus pensamentos, quando finalmente vi a foto... "A minha afilhada!! É uma menina...." Fiquei ali, a contemplar a foto, e a ler toda a informação... Li tão rapido que nem consegui captar. Voltei a ler... E apaixonei-me imediatamente.

Já por diversas vezes, falei aqui sobre a necessidade de ajudar. Mas torna-se mais facil falar teoricamente do que ajudar realmente. Pois bem, decidi passar a prática. Já escrevi aqui por diversas vezes sobre o Apadrinhamento à distância, levado a cabo pelo CCS Portugal - Centro para a Cooperação e Desenvolvimento (associação sem fins lucrativos para o desenvolvimento). Esta é uma forma de poder apadrinhar uma criança de Moçambique, Zâmbia, Angola ou Nepal, ajudando-os financeiramente, contribuindo para que tenha uma vida melhor. Após alguma reflexão e pesquisa sobre todo o processo, candidatei-me a madrinha de uma criança... E chegou agora a informação!

Foi assim que conheci a Ana, ou Aninha como é carinhosamente chamada pelos familiares. É uma menina linda de 11 anos, timida e serena... Tem 3 irmãos e 1 irmã, e vive com a mãe (porque o pai faleceu com malária) numa casa feita de materiais locais, na Ilha de Moçambique, que se situa a norte, a cerca de 180 Km de Nampula. A Aninha, encontra-se de boa saúde, anda no 3º ano da escola primária, e fala português. E a partir de agora é minha afilhada!! Pagar-lhe-ei o sustento completo: condições de saúde, alimentação e o ensino.

Senti de imediato uma felicidade imensa, e as lágrimas subiram-me aos olhos... A felicidade permanece e sei que ficará. Estou feliz pela minha atitude, mas ainda mais feliz por ter a Aninha na familia.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Desabafo...


Durante todos estes anos, muitas foram as vezes que precisei de ouvir um "adoro-te" ou sentir um abraço apertado... Precisei de sentir algum aconchego e precisei de um minuto de atenção. Saber que me ouviam e que prestavam atenção no que dizia... Mas esse adoro-te não chegava, o abraço, o aconchego e a atenção também tardavam... É verdade que também sempre me fechei... Fechei-me para os meus pais, para o meu irmão e julgo que muitas vezes até me fechava para as minhas amigas... Mas num certo momento, as coisas mudaram... aliás, acho que tudo mudou! Entraram pessoas na minha vida sem eu esparar e com quem estabeleci um verdadeiro encontro de corações... Criaram-se laços que perduram, muito para além do tempo e do espaço... Veio o carinho, veio a atenção, o adoro-te...e já veio o abraço e o aconchego também.

Vivi recentemente momentos maravilhosos que quero guardar em mim... Foram momentos felizes e de grande partilha... Partilha de carinho, de momentos, de sentimentos, uma partilha pura e sincera... Momentos em que parecia que o tempo tinha parado e que o resto do mundo não existia. Para mim, existiam apenas aqueles instantes, aquelas pessoas, aqueles lugares... Para mim aquilo era tudo, e o resto era nada. Mas o tempo, aquele que para mim não existia, foi passando e fui puxada repentinamente para a realidade... Fica a saudade do toque, do cheiro, das vivencias... Fca a saudade de tudo...

Poderão chamar-me carente... Pois é, se calhar sou... Costumo dizer que "sou uma piegas mascarada de durona", não choro, e supostamente não ligo a nada... Entro, saio, e ninguém dá por mim... Muitas vezes tenho até a sensação de sombra... Mas na realidade não sou nada assim, as coisas dentro de mim não acontecem dessa forma. Muitas são as vezes que "choro para dentro", que sinto as lágrimas a cairem no coração... Outras vezes sinto o coração tão pequenino que chego a duvidar que ele ainda existe... Magoo as pessoas que me rodeiam, e a ausência de carinho faz-me sangrar...

Hoje choro, as lágrimas caem duas a duas... Porque choro?? Não sei bem... Se calhar porque tenho saudades de tudo o que tive naqueles dias... Ou se calhar porque vejo agora o que nunca tive...

sábado, setembro 15, 2007

De mãos dadas...



Ouço a melodia que toca em mim...
Voo, sem ter asas,
Vejo-te, de olhos fechados,
Sinto-te, estando sozinha,
Quero-te, estando longe.

Momentos que acontecem,
Sorrisos que se desenham,
Carinhos que se tocam,
Mãos que se dão,
Abraços que se entregam
Sentimentos que se sentem...
O tempo que pára.

Cada gesto
Tranforma em si um sorriso,
E a ausência
uma lágrima sofrida
Que não consigo
Esconder de mim...

quarta-feira, setembro 12, 2007

Já está...

Hoje foi um dia importante. Pude finalmente concluir o que havia para concluir. Neste momento sinto-me livre!! Sei que sou livre apenas por alguns dias, mas sabem-me bem... muito bem!!

Ando a precisar de descanso, de aliviar a cabeça. Preciso sair daqui... Nada melhor que descansar e divertir com os amigos, nao é verdade? Pois bem, é o que farei nos proximos dias... Irei... sorrirei, festejarei... irei aproveitar o melhor possivel de pessoas que me são muito especiais.

Até breve!
Beijinhos e um abraço para todos
CA.

quinta-feira, setembro 06, 2007

página 161



A Carracinha Linda, a Marta, a Patrícia, e a Sofia desafiaram-me e cá estou eu a responder... Eu deveria:

Pegar no livro mais próximo; Abrir na página 161; Procurar a 5ª frase completa; Colocar a frase no blog; Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo).

Nunca pensei que este desafio se tornasse tão complicado... Sim, é verdade, complicado!! Primeiro livro - o mais próximo: não tinha 161 paginas. Segundo livro: tinha uma imagem nessa página!! Terceiro: nao tinha 5 frases nessa págin!! Próximos... hum... livros de José Saramago e por isso impossível de contar frases.. Depois outros com menos 161 páginas... Bem, estava a tornar-se complicado... Fui a estante e escolhi criteriosamente o livro, não a frase mas não queria continuar na busca em vão... Ao fim de tantos livros, lá achei um com mais de 161 páginas e com mais de 5 frases nessa página...

O livro chama-se "Se isto é um homem" de Primo Levi. Este livro retrata os tempos que ele passou nos campos de concentração: primeiro em Fòssoli e posteriormente em Auschwitz.

Ora aqui vai...

"Normalmente não se trata de coisas muito elevadas: o trabalho, os companheiros, o pão, o frio; mas há uma semana para cá há algo de novo: Lorenzo traz-nos todas as noites três ou quatro litros de sopa dos trabalhadores civis italianos"

Aconselho-vos o livro... ainda nunca o li na totalidade, por falta de tempo, mas acho que é bom ler outras realidades...

Desafio respondido... Sintam-se todos desafiados!! E boas leituras...

quinta-feira, agosto 30, 2007

Ando assim...


Esta semana ando assim, a correr desenfreadamente de um lado para o outro, e a ter que ultrapassar várias barreiras. Estas barreiras são problemas que vão aparecendo no trabalho, discussões na equipa de projecto (expulsão de um elemento, a menos de uma semana de entrega), e as que me têm custado mais: o cansaço. Ando a trabalhar entre 12 a 15 horas diárias, sempre com viagens para o Alentejo... Parece que um comboio me passou por cima.

Peço desculpa a todos vós por não vos visitar nos cantinhos que eu adoro, ou dado a atenção que tanto merecem, mas tem sido de todo impossível.

Beijinhos grandes e até a momentos mais serenos...
CA.

sábado, agosto 25, 2007

Distinções...

Hoje é dia de prémios... É com muito prazer e honra que os recebo. É bom sentir que gostam de passar pelo meu cantinho... Um cantinho que é meu, mas muito vosso também. Quero que se sintam bem, confortaveis... Que se sintam bem ao vir aqui...


O João Fragmentos nomeou o Ticho como um Blog 5 Estrelas..



A Fa menor nomeou o Ticho como sendo um blog com poder schmooze, isto é, um blog que promove o relacionamento inter-blogs...



No dia em que criei o Ticho, não fazia ideia do que iria acontecer, das pessoas maravilhosas que iria conhecer e as amizades que iria criar. Hoje agradeço a Deus por me ter dado a ideia de o criar.

Estes prémios não são meus, mas vossos... Infelizmente não posso nomear toda a gente. Os que não nomearei não pensem que tenho menos amizade ou respeito pelos blogs. Apenas não posso nomear todos... Assim nomeio os 5 blogs:

More Than Words - Patrícia
Conto Aqui - Marta
Gostar de Viver - Teresa
Amor Fraternal - Anita
O desabrochar de uma simples flor - Flor

Aceitem estes prémios com todo o meu carinho...

terça-feira, agosto 21, 2007

Grande demais...


Os risos ecoavam ainda pelos corredores largos, afastando-se. Nunca soube muito bem por ordem naquela correria desenfreada, nos atropelos à saída. Confesso mesmo, que em muitos dias, me apetecia simplesmente sair a correr com eles, esquecer tudo, e voltar a ter direito a brincar. Reconquistar os meus minutos de recreio!
Depois de todos terem saído, reparei na Sofia, ficara sentada, carita escondida pela cabeleira. Caminhei para ela, ouvindo apenas o som seco do tacão a bater na madeira velha do soalho e o frenesim distante que chegava da rua, para lá das velhas portas em arco.
“Posso sentar-me contigo?” – Perguntei com um sorriso, tentando adivinhar o motivo da sua tristeza. Limitou-se a acenar com a cabeça.
“Não queres brincar com os teus amiguinhos hoje?”
“Não! Já sou muito crescida!”
O seu tom era realmente o de um adulto triste, aprisionado no seu corpo e voz infantil. Avistei-lhe uma lágrima a despontar nos belos olhos negros. Senti o coração apertar-se face ao sofrimento daquela criança que aprendera com o tempo a amar.
“Sabes uma coisa Sofia, eu sou ainda mais crescida que tu e está a apetecer-me ir lá fora aos baloiços. Queres ir comigo?”
Fitou-me de frente, com os olhos arregalados de espanto.
“As duas? No baloiço?”
Sorri-lhe como resposta.
“Não!” - Disse peremptória e novamente cabisbaixa. – “Eu ontem ouvi que já sou grande demais...”
“Ouviste? Quem te disse?”
“Não foi a mim... Eu é que ouvi... Afinal já não vou ter uma mãe nova... Já sou muito grande...”
Apeteceu-me sair aos berros com quem o tivesse dito, mas em vez disso forcei um sorriso e tentei confortá-la.
“Pois eu não te acho muito crescida, acho que és uma menina linda e que quando tiveres uma mamã nova, ela será muito feliz contigo, terá muita sorte por te ter!”
“Achas?!”
“Tenho a certeza!”

O seu rosto abriu um sorriso rasgado e os bracitos magros atracaram-se no meu pescoço. Não lhe vi o rosto quando ela me fez a pergunta mais doce que algum dia escutei e eu tomei a decisão que me fez mais feliz.
“Isso quer dizer que gostavas de ser minha mãe?”

(escrito por: Marta)

segunda-feira, agosto 20, 2007

Escrevo para ti...

(foto de Tarina: Porto Dinheiro)



Hoje escrevo para ti... Sei que em condições normais, provavelmente não o faria... Mas hoje quero escrever para ti. Quero homenagiar o menino-homem que conheci... Aquele que eu via ao longe e sorria na certeza que seria um grande Homem neste mundo... Aquele que se fazia de rebelde mas que era rapidamente era desmontado por um sorriso e um piscar de olho... Aquele que tanto brincava como a seguir estava a sugerir ajudar alguém... Quero falar da grande pessoa que ninguém que cruzou o teu caminho irá esquecer... Hoje escrevo para ti... hoje quero lembrar-me de ti...

Quero viver como tu viveste
Quero ser feliz como tu foste
Quero sorrir como tu sorrias,
Quero sonhar como tu sonhavas
Quero aproveitar como tu aproveitavas
Quero amar como tu amavas...

... tudo e todos ao teu redor.


"Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes
que não vivi junto ao mar"

(Sophia de Mello Breyner)

sábado, agosto 18, 2007

Orgulho...


Já falei aqui de muitos assuntos e temas, mas hoje o assunto é outro... TRABALHO! No outro dia fiquei muito admirada quando um outro blog referia um artigo que fiz. Fiquei admirada, mas muito contente e feliz... Sim, confesso... fiquei orgulhosa de mim! Percebi entao que o ticho merecia um post sobre o que faço... Poderão assim conhecer-me um pouco melhor.

Muitos de vós sabem que eu estou a terminar a minha Tese para a obtenção do grau de Mestre em Eng. do Ambiente e Urbanismo. A tese tem como titulo "Análise de viabilidade de equipamentos de saúde ponderada a questão da localização territorial", e tem por objectivo perceber se os hospitais e os centros de saude (do Alentejo) dão resposta às necessidades da população.

"O Serviço Nacional de Saúde não apresenta uma estratégia de integração efectiva entre o funcionamento das várias redes de cuidados (Primários, Hospitalares e Continuados Integrados) o que dificulta o aumento da eficácia e eficiência do sistema. A reestruturação em curso ao nível do sistema de saúde torna necessário o estudo da distribuição espacial e organização da capacidade dos serviços nos vários níveis. É necessário um esforço cumulativo no desenvolvimento de equipamentos, com uma forte articulação possibilitando o rápido acesso a serviços de saúde eficientes e de qualidade. Esta distribuição e este desenvolvimento deve ter por base um planeamento claro e efectivo que permite optimizar a sua localização assim como minimizar os seus impactos negativos e optimizar as suas mais valias." (CA; 2007)

Cátia Azenha

terça-feira, agosto 14, 2007

Miguel Torga... 100 anos!


AOS POETAS

"Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!"

(Miguel Torga)

Miguel Torga era filho de familias humildes, que apenas pode estudar porque teve apoio do tio após emigrar para o Brasil. Formou-se em Medicina. A sua obra é de caracter humanista, onde as paisagens transmontanas são um frequente cenário. Foi-lhe atribuido o prémio Camões no ano de 1989.

Existem grandes poetas Portugueses que, apesar de premiados, temos certa tendência de ignorar. No passado Domingo comemorou-se o 100º aniversário do seu nascimento... Hoje desafio-vos a conhecer MIGUEL TORGA.

sábado, agosto 11, 2007

Ajuda-me...


Sabes que muitas vezes falo contigo a agradecer-te tudo o que me ofereces, que muitas vezes falo contigo a pedir-te para os meus amigos... Mas hoje venho pedir-te por mim. Sei que nem sempre tenho o melhor comportamento, que nem sempre faço aquilo que nos ensinaste, mas sei também que me amas com os meus defeitos e por isso venho pedir-te ajuda... Preciso que me dês força e esclarecimento, sapiencia... Sabes que momentos se aproximam, sabes o quão dificil vai ser... Tenho perdido (aparentemente) algumas batalhas, mas esta preciso de vencer...

Ajuda-me Senhor...

terça-feira, agosto 07, 2007

Momentos...


Existem momentos em que tudo brilha...
Um gesto, uma palavra,
Um olhar penetrante em que tudo se transforma...
Naquela hora, naquele lugar, mais nada importa...
O tempo parou, o mundo lá fora não existe mais,
Tudo se desenrola em mim e naquele momento.

Tudo poderá acontecer amanha,
Mas o hoje é especial e já é meu...
São momentos que ficarão guardados em mim...

quinta-feira, agosto 02, 2007

Hoje escrevo uma carta...

O sentimento estava ali, senti saudades de ter uma carta à minha espera, tive o desejo de adivinhar uma caligrafia, ao mesmo tempo me pego a pensar quão raras são as cartas pessoais, ao que parece já não se desnuda a alma sobre o papel, sinto saudades desse despojamento, que nos faz expor as entranhas de quando em vez.

Penso em cada uma das pessoas que conheço por este mundo de Deus, e que talvez estejam agora a pensar em mim... Penso em todos e penso em ti... A rapidez do computador aproximou-nos do mundo, mas roubou-nos esse momento de reflexão...na era dos e-mails são poucas, senão raras, quem ainda escreve uma carta... Mas então seja essa a carta que quero escrever e que quero que seja especial...

No mundo inteiro estão quase todos inquietos, stressados, e descontentes... Olhamos para o mal e principalmente para o mal... Guerras, injustiças, insegurança e politica... Mas não é sobre isso que eu hoje quero escrever...

Quero fazer desta carta um caminho dividido, compartilhado... Quero escrever sobre tudo e sobre nada, quero escrever sobre sentimentos, sobre gestos de carinho... Quero escreve-la sobre sobre este ceu estrelado que nos une e que nos liga às estrelas... Tudo se tranforma num poema que nos convida à serenidade, que se alarga para novas constelações, e para o sorriso do sol no novo dia...

O céu fala-nos de eternidade para tudo e para todos. Nascentes madrugadoras, poentes coloridos, adormecendo devagar, na esperança de que os contemplemos. As estrelas falam-nos também de Deus, de mistérios insondáveis, que vao acontecendo na nossa vida...

Música que ouvimos sem ser tocada, pois somos apenas um... Almas que se comunicam, que se encontram no caminho da vida...

Escrevo sobre o tempo e as maravilhas que nos são proporcionadas, e nem sempre nos damos conta delas... São palavras abertas, antigas e novas canções da nossa vida.. Hoje escrevo sobre alguns desses mistérios que o Homem vai esquecendo.. Escrevo sobre o Amor!

Hoje escrevo uma carta, que não é somente uma carta, são palavras, respostas, sonhos, desejos e principalmente sentimentos que a minha alma envia a outra e que a entende e sente tão bem...

Vou envia-la...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Parabéns...




Muitas pessoas passam na nossa vida, mas umas marcam mais que outras... Hoje é o Aniversário de uma pessoa que conheci através do Ticho, mas que muito me tem acompanhado e marcado... É sem duvida uma pessoa especial, com um coração dos mais lindos que conheço, uma pessoa que eu guardo num lugar especial no coração!

É com imenso AMOR e carinho que faço este post hoje... Tudo para dizer o quanto gosto dela, o quanto é importante para mim, e o quanto quero preservar a sua Amizade... Tudo para lhe dizer...


Feliz Aniversário Patrícia!!

More Than Words...


Minha querida, desejo-te tudo de bom, tudo o que a vida tem de maravilhoso para te oferecer... Desejo que sejas muito feliz, pois se há pessoa que merece és tu... Eu estarei sempre por perto, em todos os momentos que precisares...


And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world


Tem um feliz dia Querida...